Por: Jana de Paula
O verdadeiro teste reservado às operadoras de redes móveis (MNO) durante a Copa das Confederações, de fato, não aconteceu. Focadas em aumentar a conexão dentro dos estádios brasileiros onde se realizaram as partidas de futebol, as operadoras – e, principalmente, os organizadores do evento – não contavam com a intensificação do uso dos dispositivos móveis do lado de fora dos estádios. Muitas das manifestações populares contra a realização da Copa da FIFA tiveram sua concentração à porta dos campos e, devido aos confrontos da população com as forças de segurança dos estados sedes, foi grande o uso de voz e dados num perímetro não previamente dimensionado para receber o alto volume de tráfego registrado nestes locais.
O verdadeiro teste reservado às operadoras de redes móveis (MNO) durante a Copa das Confederações, de fato, não aconteceu. Focadas em aumentar a conexão dentro dos estádios brasileiros onde se realizaram as partidas de futebol, as operadoras – e, principalmente, os organizadores do evento – não contavam com a intensificação do uso dos dispositivos móveis do lado de fora dos estádios. Muitas das manifestações populares contra a realização da Copa da FIFA tiveram sua concentração à porta dos campos e, devido aos confrontos da população com as forças de segurança dos estados sedes, foi grande o uso de voz e dados num perímetro não previamente dimensionado para receber o alto volume de tráfego registrado nestes locais.
De acordo com Erasmo Rojas, diretor da associação 4G
Américas para América Latina e Caribe, outros percalços atrapalharam o teste de
fogo das operadoras para suas redes de 3G e 4G. Além do anunciado problema com
os prazos reduzidos que as MNO tiveram para instalar suas redes nos estádios e
outros locais críticos do evento – administração, sala de imprensa etc. – devido
à morosidade dos acordos entre teles, Anatel e FIFA, foi preciso enfrentar
problemas de infraestrutura:
“Foram registrados vários problemas como falta de
energia elétrica, salas de controle alagadas, obras não concluídas, este último
o caso do Maracanã, que dificultaram ainda mais o bom funcionamento das redes” lista
Rojas. Ele lembra ainda que as MNOs tiveram o prazo de testes reduzido dos 120
dias iniciais para 47 dias, o que tornou a situação mais problemática.
Capacidade de Tráfego nos Estádios (Copa das Confederações 2013)
Fonte: SindiTelebrasil - JUL/2013
Capacidade de Tráfego nos Estádios (Copa das Confederações 2013)

Fonte: SindiTelebrasil - JUL/2013
Por isso, no balanço das redes de 3G/4G durante a
Copa das Confederações “não houve muita surpresa. Foi uma corrida contra o
relógio e contra condições adversas não previstas”, acrescenta Rojas.
Mas, mesmo com todos estes problemas externos às
responsabilidades das operadoras, houve falha da parte delas na estimativa do
público presente. Na abertura do evento, por exemplo, no dia 15 de junho
passado, a capacidade de chamadas estimadas pelo SindiTelebrasil era de cerca
37 mil chamadas nas 4 horas antes, durante e imediatamente após a realização da
partida, mas, de fato, ocorreram 90 mil chamadas neste período, ou 22,5 mil
chamadas por hora.
Segundo a 4G Americas, a surpresa foi o uso de dados
em 3G/4G. Foram 300 mil conexões durante o
jogo de abertura entre as 14 e as 18 horas, ou 75 mil conexões/hora. “Este
volume foi muito superior ao que estava planejado, que era de 22 mil conexões
de dados (12 mil em 3G e 10 mil em 4G)”, reforça Rojas.
Ponto positivo
Houve, porém, um teste com resultado positivo para
as MNOs, ou seja, a adoção do sistema de antenas distribuídas para conexão
indoor, usado pela primeira vez durante as Olimpíadas de Londres, de 2012. O
sistema que prevê instalação de um cabo de fibra óptica que leva a conexão das
redes das MNO para uma sala interna, foi o que garantiu o funcionamento das
redes dentro dos estádios, como o trabalho da imprensa e dos administradores.
Assim, mais do que um teste de fogo, a Copa das
Confederações 2013 serviu como lição para as MNOs que, agora, ao que tudo
indica terão tempo hábil para corrigir as falhas ocorridas para a Copa do Mundo no ano que vem, um evento quatro vezes maior.
“Para o Mundial de 2014, operadoras e governo terão
que absorver as lições, tirar suas conclusões porque, agora, já sabem o que
esperar. É muito importante que ocorra algo que não ocorreu no evento que se
encerrou no início deste mês, ou seja, uma intensa informação do trabalho das
operadoras junto ao usuário final. O usuário precisa ter uma visão melhor, mais
completa, dos serviços e da abrangência das redes, para saber como atuar”,
adverte Rojas.
Fonte: e-Thesis
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