quarta-feira, 10 de julho de 2013

Copa das Confederações serviu mais como lição que teste

Por: Jana de Paula

O verdadeiro teste reservado às operadoras de redes móveis (MNO) durante a Copa das Confederações, de fato, não aconteceu. Focadas em aumentar a conexão dentro dos estádios brasileiros onde se realizaram as partidas de futebol, as operadoras – e, principalmente, os organizadores do evento – não contavam com a intensificação do uso dos dispositivos móveis do lado de fora dos estádios. Muitas das manifestações populares contra a realização da Copa da FIFA tiveram sua concentração à porta dos campos e, devido aos confrontos da população com as forças de segurança dos estados sedes, foi grande o uso de voz e dados num perímetro não previamente dimensionado para receber o alto volume de tráfego registrado nestes locais.

De acordo com Erasmo Rojas, diretor da associação 4G Américas para América Latina e Caribe, outros percalços atrapalharam o teste de fogo das operadoras para suas redes de 3G e 4G. Além do anunciado problema com os prazos reduzidos que as MNO tiveram para instalar suas redes nos estádios e outros locais críticos do evento – administração, sala de imprensa etc. – devido à morosidade dos acordos entre teles, Anatel e FIFA, foi preciso enfrentar problemas de infraestrutura:

“Foram registrados vários problemas como falta de energia elétrica, salas de controle alagadas, obras não concluídas, este último o caso do Maracanã, que dificultaram ainda mais o bom funcionamento das redes” lista Rojas. Ele lembra ainda que as MNOs tiveram o prazo de testes reduzido dos 120 dias iniciais para 47 dias, o que tornou a situação mais problemática.

Capacidade de Tráfego nos Estádios (Copa das Confederações 2013)
Fonte: SindiTelebrasil - JUL/2013

Por isso, no balanço das redes de 3G/4G durante a Copa das Confederações “não houve muita surpresa. Foi uma corrida contra o relógio e contra condições adversas não previstas”, acrescenta Rojas.

Mas, mesmo com todos estes problemas externos às responsabilidades das operadoras, houve falha da parte delas na estimativa do público presente. Na abertura do evento, por exemplo, no dia 15 de junho passado, a capacidade de chamadas estimadas pelo SindiTelebrasil era de cerca 37 mil chamadas nas 4 horas antes, durante e imediatamente após a realização da partida, mas, de fato, ocorreram 90 mil chamadas neste período, ou 22,5 mil chamadas por hora.

Segundo a 4G Americas, a surpresa foi o uso de dados em 3G/4G.  Foram 300 mil conexões durante o jogo de abertura entre as 14 e as 18 horas, ou 75 mil conexões/hora. “Este volume foi muito superior ao que estava planejado, que era de 22 mil conexões de dados (12 mil em 3G e 10 mil em 4G)”, reforça Rojas.

Ponto positivo

Houve, porém, um teste com resultado positivo para as MNOs, ou seja, a adoção do sistema de antenas distribuídas para conexão indoor, usado pela primeira vez durante as Olimpíadas de Londres, de 2012. O sistema que prevê instalação de um cabo de fibra óptica que leva a conexão das redes das MNO para uma sala interna, foi o que garantiu o funcionamento das redes dentro dos estádios, como o trabalho da imprensa e dos administradores.

Assim, mais do que um teste de fogo, a Copa das Confederações 2013 serviu como lição para as MNOs que, agora, ao que tudo indica terão tempo hábil para corrigir as falhas ocorridas para a Copa do Mundo no ano que vem, um evento quatro vezes maior.

“Para o Mundial de 2014, operadoras e governo terão que absorver as lições, tirar suas conclusões porque, agora, já sabem o que esperar. É muito importante que ocorra algo que não ocorreu no evento que se encerrou no início deste mês, ou seja, uma intensa informação do trabalho das operadoras junto ao usuário final. O usuário precisa ter uma visão melhor, mais completa, dos serviços e da abrangência das redes, para saber como atuar”, adverte Rojas.

Fonte: e-Thesis




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