sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Finlândia desenvolve robô controlável por nuvem

O VTT Centro de Pesquisas Técnicas da Finlândia Ltda. desenvolveu um sistema de controle para os robôs industriais a serem utilizados na fabricação de produtos de um único item. Sua adoção reduz substancialmente o tempo de configuração e programação do robô. O tempo necessário para a programação de um robô pode agora ser contada em minutos, quando através dos métodos de programação tradicionais, pode demorar uma hora ou mais.

As características do novo sistema de controle incluem, por exemplo, o uso de dois sensores de força/torque (binário), enquanto sistemas robóticos tradicionais têm um ou nenhum. A finalidade de um sensor de força/binário é reconhecer a pressão sobre a ferramenta em uso. Na solução VTT, um sensor está ligado a uma vareta de controle sem fios, através da qual o robô pode ser dirigido através da operação passo-a-passo.

O bastão de controle e o sistema operacional em tempo real, torna possível a um controlador humano compartilhar o mesmo espaço de trabalho com o robô e controlar seus movimentos diretamente, ligado ao robô ou à carga.

Quando o ser humano dirige o robô de uma distância curta, a interação entre ambos se torna mais fácil.

"A solução interativa torna possível tirar vantagem da capacidade humana de observação para a realização da tarefa desejada," diz Tapio Heikkilä, cientista principal da VTT.

Graças ao sistema interativo, tanto o ensino das novas tarefas e caminhos contínuos para o robô quanto seu controle direto tornam-se muito mais rápidos do que antes. Isto é particularmente útil no fabrico de peças de teste e produtos de item único, porque os objetos pesados ​​e mesmo de todo o processo de montagem podem ser movidos de uma maneira flexível.

Na solução tradicional, o trajeto do trabalho do robô é programado lentamente - um ponto de cada vez, e o robô invariavelmente repete a tarefa predefinida. Reprogramação e até mesmo pequenas variações, em fatores como os locais dos itens que estão sendo manipulados, causam erros imediatos.

Uma solução para a era da internet

Programação rápida de robôs e interação homem-robô vão se tornar características cada vez mais importantes na era da internet industrial, onde produção flexível e pequenas tiragens são vantagens competitivas essenciais para as empresas. A automação pesada tradicional atende tais requisitos de forma insatisfatória.

"Quando o cliente tem uma gama versátil de produtos de um único item para processar, automação parcial eficiente pode ser uma solução competitiva", Heikkilä ressalta.

A solução robô desenvolvido pela VTT aumenta as chances de sucesso da Finlândia como economia industrial. A solução é adequada para tarefas que exigem elevado nível de especialização, onde o robô faz o trabalho duro e as pessoas fazem o trabalho mental.

A nova solução também permite que os modelos de serviço se tornem cada vez mais comuns na era da internet industrial. Os dados de medição dos sensores do robô podem ser armazenados num serviço de nuvem, o que torna possibilita executar análises diferentes na forma de um serviço remoto. O desempenho do robô também pode ser monitorado em tempo real, através da internet.

Esta solução de controle pode ser aplicada a todos os robôs com interface de controle aberta. Na prática, isso significa as principais fabricantes de robôs. A solução foi desenvolvida através do projeto HEPHESTOS no âmbito do “7th EU Framework Programme”, e, além de fabricantes de robôs, a VTT espera também o interesse da indústria em geral que adota robôs bem como de fornecedores de sistemas.

O projeto HEPHESTOS durou três anos, foi concluído outubro passado e envolveu nove organizações de pesquisa e empresas de seis países: Fraunhofer IPK, Easy-Robot e ME Messsysteme da Alemanha; Universidad Politechnica de Madrid (Espanha); G-Robots da Hungria; Universiteit I Agder da Noruega; Comau Robotics daItália; e Jot Automation e VTT da Finlândia.

Fonte: VTT Technical Research Centre of Finland Ltd 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ambiente virtual do Brasil é um dos mais perigosos em crimes financeiros

O Brasil está entre os países onde mais se comete crimes cibernéticos, ou cibercrimes. O país é apontado como um dos mais perigosos para os usuários digitais, principalmente por conta de ataques maliciosos específicos que roubam dinheiro e dados privados. A cooperação internacional com grupos criminosos da Europa Oriental também contribui para a evolução de vírus maliciosos em âmbito nacional. Em 2014, o Brasil foi considerado o país mais perigoso em ataques virtuais financeiros.

Os resultados constam do novo relatório “Submundo cibernético no Brasil”, produzido pela Kaspersky Lab. Inédito, estudo revela a vida secreta dos cibercriminosos daqui:

“Há muitas campanhas criminosas voltadas especialmente para os brasileiros. Além disso, a legislação nacional é muito vaga em relação à crimes digitais. Se você une tudo isto ao vasto comércio de produtos e serviços entre criminosos locais, nota o quanto a realidade digital brasileira pode se tornar complexa para empresas que não contam com especialistas em segurança de TI no País”, afirma Fabio Assolini, autor da pesquisa e analista sênior de segurança da Equipe de Pesquisa e Análise Global (GReAT) da Kaspersky Lab.



Países que mais sofreram ataques de phishing em 2014


Roubando os compatriotas

Diferentemente dos cibercriminosos de outros países que, em geral, não respeitam fronteiras e atuam no mundo inteiro, o cibercrime local se concentra em fraudes contra pessoas e empresas brasileiras. Uma das razões é a legislação vaga, que não pune estes criminosos de forma eficaz. O relatório detalha alguns exemplos em que bandidos virtuais passaram pouco ou nenhum tempo presos. A pesquisa mostra que não é necessário investigar muito para rastrear os culpados. Por conta desta percepção de impunidade, os criminosos locais ostentam seus lucros e vendem seus produtos e serviços despreocupadamente, como se estivessem dentro da lei, inclusive com promoções chamativas em redes sociais e sites.

Expansão internacional

O foco local não significa que os criminosos virtuais não interajam com pares de outros países. O relatório revela uma colaboração entre bandidos brasileiros e da Europa Oriental. Eles compartilham conhecimento, trocam favores e compram serviços, tais como hospedagem protegida para os malware nacionais. Há provas de que os criminosos brasileiros cooperam com as gangues do Leste Europeu envolvidas com o ZeuS, SpyEye e outros trojans bancários criados na região.

Com o monitoramento dessas atividades em todo o mundo, a Kaspersky Lab é capaz de prever o surgimento de determinados ataques virtuais e ajustar seus métodos de proteção de acordo com as informações obtidas em outras regiões.

Peculiaridades locais

As especificidades regionais são a chave para entender melhor o cenário das ameaças e o relatório da Kaspersky Lab comprova isto. Um dos exemplos mais claros é o ataque dos boletos, em que cibercriminosos descobriram uma forma de manipulá-los para redirecionar a transferência do dinheiro para outra conta.

Países mais afetados por trojans em 2014


Problemas de privacidade e segurança no governo

Outra característica importante do cenário cibernético brasileiro é a falta de segurança dos recursos de TI das empresas e dos governos (veja os exemplos no relatório completo). Frequentes falhas de segurança em serviços online do governo expõem publicamente os dados sigilosos de cidadãos brasileiros. Cibercriminosos conseguem obter essas informações e as negociam com outros golpistas por alguns dólares. Um ataque direcionado ao sistema do Ibama permitiu reaver a licença de 23 empresas suspensas por crimes ambientais e, em 10 dias, foram extraídos 11 milhões de reais em madeira.


Mercado C2C: de um criminoso para outro

O relatório inclui uma investigação detalhada sobre operações entre empresas no submundo cibernético brasileiro, em que grupos diferentes colaboram e compartilham seus serviços de informações e sua tecnologia. Operações entre criminosos são bastante desenvolvidas e difundidas: um criminoso consegue encontrar praticamente todos os serviços que se possa imaginar: criptografia para malware, hospedagem, programação, código para o ataque aos roteadores domésticos, virais no Facebook, spam etc. Um kit de ferramentas de ransomware custa apenas US$ 30 e um keylogger dez vezes este valor.

O segredo está no serviço de informações

“Este relatório traz informações que nos ajudam a aperfeiçoar a proteção para nossos clientes e desenvolver novas tecnologias de segurança. No Brasil, como em outros países, conhecemos muito bem os projetos do cibercrime, seus golpes mais recentes e seus planos futuros. Esse conhecimento, combinado a nossa experiência técnica em ameaças virtuais, nos permite combater o cibercrime com maior eficiência”, relata Assolini.

“No entanto, ao monitorar o ambiente cibernético brasileiro, fica claro que não basta todo o esforço das empresas de segurança. A melhor solução para garantir um ciberespaço mais seguro é o compartilhamento de informações e a cooperação entre o setor de segurança, empresas e governo, incluindo as autoridades legais”, complementa o especialista.


Baixe o Relatório competo aqui

Fonte: Kaspersky Lab

sábado, 26 de dezembro de 2015

Por que você me faz chorar?



Por que você me faz chorar? Por que eu faço você chorar? Uma Estrelinha, vinda diretamente do Berçário das Estrelas para o planeta Terra, descobre respostas para estas velhas perguntas, de um jeito muito peculiar. É uma história curtinha. Assim, se você é um adulto - o quase - experimente contá-la para esta criança, menino ou menina, com quem você convive. Durante os próximos cinco dias, a Amazon.com.br está oferecendo o livrinho "Por que você me faz chorar?", na versão e-book, DE GRAÇA, como promoção de lançamento! Depois de ler, por favor, deixe seu comentário na página da Amazon,com.br. E que comece a aventura. 






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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Será o cartão de emulação anfitrião (HCE) o facilitador para pagamentos móveis sem contato?

Host Card Emulation, ou cartão anfitrião de emulação (HCE) simplifica a implementação através de comunicação do tipo Near Field Communication (NFC), ao eliminar o requerimento de segurança Secure Element (SE) para arquivar aplicações de pagamento móvel. Mas, o HCE também aperfeiçoa o tratamento das credenciais de pagamento a serem capturadas pelo dispositivo móvel e os possíveis riscos subsequentes de fraudes.

No recém-lançado documento “Is Host Card Emulation (HCE) the big enabler for Mobile Contactless Payments?” elaborado pela Smart Payment Association (SPA), são discutidas algumas das questões mais significativas relacionadas à segurança, roll-out e gerenciamento do uso das aplicações de pagamento via HCE. O ‘paper’ também oferece algumas recomendações de como seguir adiante num mercado competitivo que usa tanto SE quanto HCE para pagamentos móveis sem contato.

Embora não seja seu objetivo fornecer análise técnica detalhada de segurança em HSE, o documento focado fornece exemplos do desafio de acomodar requerimentos inerentes a negócio, funcionalidade e segurança num único produto de pagamento móvel.

Nota: Informações fornecidas pela Smart Payment Association (SPA)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Proatividade ou tecnologia de ruptura quântica

Por Jana de Paula



A dita proatividade está em tudo. Em gestão de pessoas, modelos de arquitetura, gerenciamento de redes.... Há software e hardware proativos e suporte de tecnologia de informação. O conceito está na computação ubíqua, na gestão das relações com clientes e é adotada como terapêutica ocupacional. Existe, até mesmo, a chamada reprodução proativa em vacas. Desde quando, nos anos 90, o termo aterrissou nas mais diversas áreas do conhecimento, recebe um sem número de definições e de maneiras de ser aplicado.
Ficamos com a aplicação do conceito no ambiente corporativo. A primeira ideia que nos vêm à cabeça é a de que ser proativo implica agir sobre determinada questão antes de ser solicitado e, principalmente, assumindo os riscos inerentes à ação. Talvez seja sobre este princípio que muitos escândalos contábeis se proliferaram no final dos anos 90 e início dos 2000.
Na verdade, hoje já se fala na proatividade de ruptura (disruptive proactivity) que é, justamente, a capacidade do indivíduo de se defender contra falsos conceitos sociais, políticos e econômicos, sejam estes aplicados por governos, lideranças empresariais ou financeiras. Este novo tipo de proatividade é inerente a todo e qualquer modelo de inovação eficaz e tem sido muito recomendado pelos analistas que sugerem linhas de ação para os modelos de negócio da Índia, um dos países onde a inovação mais tem apresentado resultados. É claro que está em posição diametralmente oposta à espécie de proatividade autoindulgente descrita no parágrafo anterior.
Stephen Covey, um dos primeiros a 'ser proativo' e que compilou as atitudes de pessoas fortemente eficazes ("7 Habits of Highly Effective People"), definiu o conceito, mais do que uma iniciativa, como concentrado na "capacidade de resposta", ou seja, na liberdade de escolha. Veja, abaixo, o modelo que ele criou, onde entre o simples estímulo e a esperada resposta há o processo de escolha.

Parece a inserção de mera palavrinha no gráfico entre estímulo e resposta. Mas, é uma palavra mágica: escolha. Nestes tempos de crescimento vertiginoso da consciência individual e planetária, o tipo de resposta que o indivíduo escolhe dar ao estímulo que recebe é o que faz toda a diferença. É a atitude que permitirá à sociedade como um todo e a cada um de seus membros se livrar do processo hipnótico que se instaurou na estrutura institucional do planeta. É o que transforma o indivíduo de sujeito (a algum conceito) a protagonista de suas escolhas.
Assim, a ideia evolui para a proatividade de ruptura, resultado do esforço próprio, pessoal. "Muda-se o status quo, partindo-se da intermediação (inserção, intervenção) da inovação ou de outras atividades positivas e produtivas. Quando o esforço é bem-sucedido, isto nos traz a realidade de mudar o jogo", define Sam Smith, autor de vários projetos inovadores para o governo do Reino Unido e um dos 'seguidores de primeira hora' da disruptive proactivity.

Tecnologia de ruptura quântica

Hoje, não basta reconhecer o óbvio - que a concorrência está mais dura do que nunca. É preciso olhar em volta, testar as soluções dos concorrentes ou interpretá-las em outros segmentos de negócios. E mais. É preciso estar consciente que, além da fronteira tradicional da organização, além da própria política de governança das empresas, há grupos independentes a questionar a eficácia e a ética do que é adotado, como meio de proteger a sociedade de decisões unilaterais.
Este é o estágio onde algumas companhias começam a buscar uma grande ideia quântica que possa lhe trazer as desejadas vantagens de mercado e financeiras. É quando se testa uma maneira radical de fazer as coisas, o que Clayton Christensen chama de "tecnologia de ruptura quântica", ou a mudança que força o realinhamento de prioridades e hierarquias.
O consultor indiano Porus P. Munshi, entre outras ideias, sugere que não se pode 'costurar' uma nova ideia sobre a situação atual, sobretudo quanto esta vem acompanhada de suposições como "isto não pode ser feito", "isto é loucura, vão dizer que não compreendo a situação de mercado". É somente quando a inovação radical supera este estágio que as coisas começam a acontecer.
Francis Bacon, o filósofo que adotava a proatividade de ruptura já no século XVII, considerava um alívio descobrir que a busca para obtenção de determinado sucesso estava sendo feita a partir de princípios falsos, pois isso significava que o sucesso em si poderia ser obtido, se buscado com os meios corretos.
Mais do que ocultar-se em termos ou definições, a proatividade parece se apresentar como a capacidade de realizar sucessos que beneficiem a todo um grupo, mesmo que este grupo ainda não reconheça esta necessidade. O que distancia a palavra de uma simples característica pessoal e tão repetida e subutilizada em currículos.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Jovens promovem cobertura colaborativa da COP21, em Paris

Em Paris, de 26 de novembro a 14 de dezembro, cerca de 30 adolescentes e jovens representantes de 12 Países (Brasil, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Itália, França, Espanha, Portugal, Dinamarca, Lituânia, Grécia e Turquia) vão colaborar com a Agência Jovem de Notícias Internacional durante a Conferência ONU sobre o Clima (COP21) e eventos promovidos pela sociedade civil organizada. 

Trata-se de um projeto de Educomunicação que tem como objetivo contar de forma colaborativa, a partir da perspectiva da juventude e por meio da produção de artigos, fotos e vídeos, o que estará rolando na cidade de Paris. 

Esta é a quarta vez que os jovens da Agência vão acompanhar de perto as negociações climáticas para informar e também  promover atividades de advocacy e sensibilização.

A COP21 é vista como a COP das COPs porque Paris deverá adotar um novo acordo vinculativo global que inclua todos os países da comunidade internacional, desde os mais industrializados (como os Estados Unidos e União Europeia) até os emergentes ou em desenvolvimento (como Brasil, China e Índia), que aumentaram consideravelmente as suas emissões nos últimos anos. O objetivo é manter abaixo de 2 ° C o aquecimento global, como recomendado pela comunidade científica internacional.

O projeto é encabeçado pela ONG Viração Educomunicação e vai contar com a colaboração pelo terceiro ano consecutivo da Associação Engajamundo (www.engajamundo.org), que foca sua participação no trabalho de incidência política e advocacy, com o objetivo de influenciar o posicionamento do Brasil e resultados mais ambiciosos para a conferência. “A participação da juventude brasileira torna-se ainda mais relevante diante do cenário em Paris! 

Precisamos mostrar ao mundo que estamos unidos por um bem comum, que é o nosso planeta. O Engajamundo e a Agência Jovem de Noticias vão garantir que as vozes dos jovens brasileiros sejam escutadas num momento de decisão tão importante", diz Raquel Rosenberg, fundadora do Engaja.

De carácter internacional, o projeto conta com a parceria da Fundación Tierravida, Fundação Friedrich Ebert, Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadoras e Comunicadores, Rede MasVos, Coletivo Clímax Brasil, Monde Pluriel, Província Autônoma de Trento, Associazione In Medias Res e Osservatorio Trentino sul Clima.

“Apesar do clima de ameaça de novos ataques na Europa, defendemos que a COP21 não pode ser feita a portas fechadas, blindada e sem a participação direta da sociedade civil. É por isso que nos organizamos para testemunhar este importante acontecimento pro presente e futuro do Planeta”, completa Paulo Lima, diretor executivo da Viração e coordenador geral do projeto. 

Por toda a conjuntura de 2015, com o estabelecimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), os desastres ambientais, crises políticas e econômicas e, recentemente, os ataques terroristas, a COP21 se apresenta como grande oportunidade para sensibilizar as pessoas em torno da Justiça Climática. 

Fonte: agenciajovem.org

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Arte, Ciência e Tecnologia no Instituto de Artes da Unesp


Dedicado ao desenvolvimento de tecnologias assistivas dirigidas à arte, o projeto ‘Interfaces físicas e digitais para as artes: da difusão à inclusão’, coordenado pela Dra. Rosangella Leote, professora do Instituto de Artes (IA) da Unesp em São Paulo, proporciona a pessoas com diversas deficiências de movimento e incapacidade de fala, a possibilidade de produção de atividades artísticas, seja nas artes plásticas, cênicas, sonoras ou outras manifestações, por interfaces, como o Kit Facilita, desenvolvido em projeto colaborativo, por Acordo de Intercâmbio Internacional entre Brasil (Unesp) e Espanha (UB) e o outro projeto “ARTIA”, que está sendo desenvolvido no Brasil, em parceria entre a Unesp e a Unicamp, por meio de seus Institutos de Artes, cujas finalidades  são similares.

Entre os objetivos está, com base na Neurociência, entender e ampliar o espaço perceptivo para o desenvolvimento e para a fruição da arte (analógicas e/ou digitais em modalidades diversas, conforme o interesse dos artistas com ou sem necessidades especiais.

Este trabalho acontece no GIIP – “Grupo Internacional e Interinstitucional de Pesquisa em Convergências entre Arte, Ciência e Tecnologia”, certificado pela Unesp junto ao CNPq.

Propósito e desafio. O projeto se destina a fornecer tecnologia assistiva, de código aberto, com possibilidades escalonáveis de funcionalidades. O usuário, ou seus familiares e cuidadores, terá acesso aos manuais e rotinas para montagem de seus dispositivos, sem nenhum custo destinado ao projeto, operando ao modelo “do it yourself”.

Um dos desafios no processo é conciliar a tecnologia aberta com recentes aplicações de biosensores, especialmente os neurosensores, visando a utilização do cérebro para ações sem realização de movimentos por parte do usuário. O projeto nesse sentido, proporciona o diálogo entre multisensorialidade e a multimodalidade para, por meio de ferramentas como o Kit Facilita e o ARTIA, proporcionar criação. “Gera assim interação de sujeitos vinculando arte, ciência e tecnologia num contexto inclusivo”, diz a professora Rosangella.

O projeto engloba cinco subprojetos, como o “Criar sem limitações: Arte e tecnologia”, da Dra. Ana Amália Tavares Bastos Barbosa, brasileira, que realiza pós-doutoramento no IA (Bolsa CAPES PNPD), e “Kit Facilita - Projeto de Pesquisa e Inovação em Interfaces Assistivas de Baixo custo” (http://www.mobilitylab.net/facilita/), desenvolvido pelo Dr. Efraín Foglia, espanhol da Universidade de Barcelona, com colaboração do Dr. Josep Cerdá i Ferré (UB). Este subprojeto também é de pós-doutoramento. Ambos estão sob a supervisão profa. Leote.

O maior desafio, entretanto, foi desenvolver um projeto de tal natureza dirigido e originado na área de artes. Não há nenhum outro projeto desta natureza no Brasil e talvez até no Exterior.
Sem verba, foi necessário a montagem de uma equipe interdisciplinar por engajamento político-social além do artístico. Alguns dos participantes do projeto, que não são da Unesp, não têm salários nem há patrocínio ou custeio de agências de fomento. A Unesp, através da Pró-reitoria de Pesquisa (Prope - edital 16/2013) custeou a compra de uma parte dos componentes. O restante foi obtido com aquisições feitas pelos membros da equipe.

Testes. Os pesquisadores já realizaram vários testes com sucesso: em 9 de julho de 2015, em Lisboa, com Pedro Almeida, artista português que sofre de degeneração precoce; em 16 de julho de 2015, e São Paulo, com a artista e arte educadora Dra. Ana Amália Tavares Bastos Barbosa, que sofre de Síndrome de Locked-in (doença neurológica rara, em que ocorre paralisia de todos os músculos do corpo, com exceção dos músculos que controlam o movimento dos olhos ou das pálpebras e, na maioria dos casos, impede a fala) ela vem aplicando as interfaces na arte-educação e na própria produção artística; em 15 agosto de 2015, com a Samara Andressa, jornalista paulistana, com paralisia cerebral.

Após esta sequência de testes, iniciou-se, em 29 de outubro de 2015, testes/treino com as crianças e adolescentes da Fundação Nosso Sonho, em SP, entidade filantrópica que promove a inclusão social de crianças e jovens com paralisia cerebral, onde Ana Amália desenvolve sua prática didática de arte. Os resultados com os adolescentes vêm criando altas expectativas quanto ao sucesso do trabalho.

Os testes na Espanha, realizados com pessoas sem necessidades especiais, apenas para a aferição dos modelos de calibragem e respostas do protótipo ao movimento ocular, também resultaram positivos.

Tecnologia. O desenvolvimento do protótipo “Kit Facilita” (www.mobilitylab.net/facilita/) que opera com o rastreamento de movimentos dos olhos foi desenvolvido com tecnologia reversa e customização de interfaces já disponíveis no mercado e com código aberto. Isto permitiu realizar mais rapidamente o trabalho. Para os realizadores do projeto, não fazia sentido desenvolver “do zero” um similar a uma solução já existente.

Foi, então, adquirido o dispositivo Pupil Dv (www.pupil-labs.com), que tem tecnologia aberta, para fazer a customização pretendida, usando a programação Pure-data. A partir daí a primeira etapa do Kit facilita se concretizou. O dispositivo se mostrou muito eficiente na operação com projeção sonora. Isso permite ao usuário combinar sons, e até produzir música a partir de células gravadas de sequências musicais, ou comunicar-se com frases simples, como: “estou com fome”, “sim”, “não’ e outras.

Sua principal qualidade hoje é a de fazer soar arquivos, que estão no computador, dispararem a partir de inputs de marcadores que podem estar distribuídos pelo ambiente do usuário. O usuário pode, da mesma maneira, fazer reproduzir trechos de música, falas teatrais, vídeos e outros outputs com base em arquivos.

Um objetivo é prosseguir na evolução do kit para um protótipo de comunicação, falada e/ou digitada, através de até 64 marcadores de tamanhos diversos, quantidade que o dispositivo hoje pode ler. É possível criar, por exemplo, um teclado físico ou projetado, o que facilitaria a ação de pessoas que têm muita dificuldade de controle dos movimentos da cabeça como uma grande parte dos paralíticos cerebrais.  Como é um kit com propósito expansível modularmente, ele poderá servir para inúmeras outras aplicações.

Para resolver as dificuldades encontradas por Ana Amália, para a aplicação de seus workshops de arte, com o uso do dispositivo (conforme o plano de trabalho do seu PD), foi utilizado, além do kit, o dispositivo Eyewriter (www.eyewriter.org), que também é tecnologia aberta, para testar suas vantagens para esta finalidade específica.

O projeto prevê a utilização de ondas cerebrais para a comunicação com o computador, especialmente para os casos mais críticos. Em relação à tecnologia utilizada, foi utilizado, inicialmente, o Epoc/ Emotiv, dispositivo leitor (neurosensor) e conversor de ondas cerebrais em informação digital, para criar condições para o desenvolvimento de obras de arte pelos artistas escolhidos.

Após os primeiros testes feitos, com o software Pure Data controlando o dispositivo, foi possível criar comandos sonoros com a ativação das ondas cerebrais. Mas observamos que as operações com o dispositivo eram muito limitadas para as nossas intenções “É uma ótima interface para games e outras situações de interação onde o detalhamento e a ordenação de sinais muito rápidos e quase simultâneos não são necessários. Ocorre que é a precisão que necessitamos para o público que enfocamos”, conclui a docente.

O Epoc/Emotiv (https://emotiv.com/) tem a tecnologia parcialmente aberta. Assim, não se tinha acesso a modificações mais incisivas, para que se pudesse customizá-lo de acordo com as especificidades do nosso trabalho”, conta. “A versão que utilizamos foi a educacional, que tem mais possibilidades de modificação do que a versão completa.”

Por essa razão, foi elegido outro equipamento, o OpenBCI (http://www.openbci.com) para a próxima etapa do trabalho, pois ele tem a tecnologia de hardware e software abertas, tanto quanto compatibilidade com o Pure-Data. Sua função é, basicamente, a mesma do Epoc/Emotiv, mas aberta é customizável, fornece maior liberdade para as aplicações. “Isto percebido, a interface pode ser usada em espetáculos de dança, teatro ou música. Os dados sonoros podem ser substituídos por visuais, então o processo pode ocorrer misturando diferentes outputs além das ações na tela do computador, explica a docente do IA.

Embora haja disponíveis EEGs mais poderosos e de alta resolução e acuidade de leituras, estes não são acessíveis para a customização, ou para o acesso em amplitude social, tanto quanto não podem ser adquiridos dada a falta de financiamento que hoje o projeto tem.

Ações. O projeto, até o presente momento, utilizou o laboratórios laboratório de Arte e Tecnologia do IA, para identificação das práticas e tecnologias utilizadas no desenvolvimento de seus produtos,  bem como para desenvolvimento de nossos projetos e aplicações das oficinas. A professora Rosangella também realizou visitas de estudo, aferição e desenvolvimento de obras colaborativas na Universidade de Barcelona, no grupo de pesquisa que ela integra (Barcelona Recerca, Art y Creació - BR:AC (UB) e no Mobilitylab (mobilitylab.net), do qual fazem parte Efraín Foglia, designer do Kit Facilita e o engenheiro de computação, Jordi Sala, responsável pela programação do protótipo.

Durante o processo houve, no Brasil, a produção de uma análise comparativa quanto à eficiência dos recursos tecnológicos digitais assistivos que vem sendo produzidos ou pesquisados e que estão voltados às necessidades do público alvo deste projeto; assim como a produção de obras plásticas, em oficinas, utilizando interfaces assistivas, envolvendo, também, a participação de pessoas que não tem limitações de movimento, como estratégia de facilitar o reconhecimento da problemática que o projeto envolve.

Dificuldades. Uma dificuldade a ser resolvida nas próximas etapas do projeto é a necessidade de afinação do dispositivo para cada usuário. O ideal seria que cada participante do projeto tivesse um dispositivo destinado à si. Numa situação controlada, como o laboratório ou uma sala de aula, isto é possível fazer sem maiores problemas, as respostas são mais garantidas. Entretanto, de um espaço do espetáculo, por exemplo, com toda a pressão psicológica que costuma haver, para qualquer artista mesmo sem deficiências, não é possível garantir que os estímulos exteriores não comprometam ação do usuário caso haja um roteiro rígido pré-fixado. “Assim, qualquer trabalho neste campo deve ser experimental e permitir a incorporação do aleatório”, aponta a pesquisadora.

No caso de Ana Amália, o principal problema é que ela não teve a destreza necessária para a utilização do Kit com o olho direito Embora ela tenha conseguido operar o equipamento, sua instabilidade motora do olho faz com que o ajuste se perca. Assim, foi iniciada uma alteração de programa e do design, para seu uso mais confortável, inclusive alterando a câmera para que possa fazer a leitura do olho esquerdo.

Os testes mostraram plausibilidade de sucesso do novo protótipo. “As pessoas que não possuem problemas de comunicação, e que usaram o Kit Facilita, relatam simplicidade na utilização do mesmo, mas incômodo com a existência dos óculos. O mesmo se dá com as deficientes. Isto é uma questão a ser levada para a continuação desta pesquisa”, aponta Rosangella.

Resultados.Todos os testes a aplicações da interface Kit Facilita apresentaram funcionamento. O teste aplicado em Portugal, na Fundação Liga Liga (www.fundacaoliga.pt), com Pedro Almeida, que +e portador de degeneração precoce, deu ótimo resultado, levando à elaboração de processo criativo para artes cênicas (dança) e artes sonoras, naquela fundação.

Na Casa das Artes dessa Fundação, além do teste com o Kit Facilita, foi possível conhecer um espaço para atividades colaborativas de produção e realização artística a distância, inclusive em tempo real. “Neste caso, nossa parceria prevê desenvolvimento de obras cênicas, junto ao grupo de dança Plural, que tem bailarinos com e sem necessidades especiais, ao modo de valorização das atividades artísticas de todos”, manifesta a pesquisadora brasileira.

Dos testes realizados no Brasil, com Ana Amália Barbosa e Samara Andresa Del Monte, o da jornalista Samara (paralisia cerebral) foi o mais bem-sucedido. “A aplicação do Workshop para crianças com paralisia cerebral, na Fundação Nosso Sonho (SP), por Ana Amália, em 28 de outubro de 2015, mostrou que se está no caminho certo”, avalia Rosangella.

Artia vem aí. “Diante das dificuldades encontradas com a interface Kit Facilita, até o momento, para as funções gráficas, será necessário desenvolver outra solução, para outros casos, desta vez com o design realizados pelos brasileiros. Isto não modifica, porém, nosso empenho para continuar nosso trabalho, tanto com o Kit, como com o BCI (leitor de ondas cerebrais)”,  conclui a pesquisadora do IA.

Para as próximas etapas, a curto prazo, o engenheiro de sistemas Dr. Daniel Paz está utilizando o Pupil Dv, com programação Processing. Alguns testes, nesse sentido, mas usando componentes avulsos, foram feitos pelo Dr. Renato Hildebrand, ambos são da Unicamp e membros do GIIP. 
O Grupo vem, por vários processos, produzindo obras com o intuito de encontrar poéticas, compartilháveis e fruíveis, apoiadas menos no espaço subjetivo das experiências do artista e muito mais em conhecimentos científicos, com grande ênfase na Neurociência.

Assim, é imperativo o uso de biosensores, especialmente os de ondas cerebrais, para a continuidade do projeto.

Por isso, a etapa à médio prazo, estudam a aplicação do enfoque no uso do OpenBCI, visando o desenvolvimento do projeto agora nomeado ARTIA. Este não é uma substituição ou continuação do Kit Facilita, mas uma proposta paralela, cuja missão é trabalhar de duas maneiras desenvolvendo dois protótipos: o “ARTIA-V” e o ARTIA-C”.

O primeiro para ações com rastreamento ocular, visando escrever, desenhar, pintar e projetar esculturas para serem impressas em 3D, gerando protótipos para as obras que seriam construídas por pessoas contratadas ou parceiros de criação. O segundo, para a utilização de ondas cerebrais com finalidades similares e também aplicações com sons e imagens fora do computador, visando obras artísticas experimentais e processuais.

Crowdfounding. Enquanto a investigação não é suficientemente reconhecida e patrocinada pelas agências de fomento, uma das próximas ações será criar um projeto de crowdfunding a fim de buscar a colaboração financeira necessária para desenvolver e amplificar o projeto como um todo, disponibilizando para a sociedade a possibilidade da inclusão, pela arte, a todos aqueles sem movimentos físicos e de fala, bem como quem não tem estas dificuldades e queiram usar tais dispositivos em parceria os que têm ou individualmente. A Arte é livre e, mesmo sem os recursos adequados, se produz”, provoca Rosangella.



Fonte: UnAN - Unesp Agência de Notícias