Por Ovum
Com a proximidade do Future of Work Summit,
uma equipe da Ovum conversou com Peter Armstrong e Len Epp, cofundadores
da Dashcube,
Patrocinador de Inovação do evento, promovido pelo Informa Telecoms &
Media, que acontece em Londres a 25 de novembro próximo. Numa fascinante,
profunda discussão, eles exploram sua perspectiva sobre o futuro do local de
trabalho e a tecnologia; e sua experiência atual.
Peter Armstrong: Eu acredito que o Futuro do Trabalho
significa que equipes distribuídas não são opcionais; e as ferramentas e
processos dos quais se precisa evoluam para o suporte e possam ser aplicadas
efetivamente em equipes que não dispõem do luxo de estar no mesmo prédio.
Acredito que o Futuro do Trabalho será fantástico, até para as forças sociais -
as supostas "merecedoras milenares", desde que isso signifique que as
pessoas não vão se contentar com ferramentas ruins e processos opressivos.
Fundamentalmente, o Futuro do Trabalho será sobre pessoas e sobre o quão melhor
usar a tecnologia para conectar pessoas e, em seguida, sair do caminho.
Ovum: Do ponto de vista da experiência de aprendizagem, qual foi a lição
mais valiosa na sua carreira profissional, ou seu fracasso mais bem sucedido?
Peter Armstrong: Meu fracasso mais bem sucedido foi tentar
produzir conceitos no meu primeiro livro, "Flexible Rails"
("Trilhos Flexíveis"), numa estrutura comercial. Embora a estrutura
fosse tecnicamente forte, principalmente devido aos esforços do meu cofundador,
o livro falhou espetacularmente como produto comercial. No entanto, a
experiência levou à formação de minha 'boutique' de consultoria que, por sua
vez, levou à criação do Leanpub, o que me permitiu trabalhar com meu velho
amigo Len e conhecer Chris, o que resultou na criação conjunta da Dashcube. Em
termos de lições, a principal delas foi me dar conta de fazer coisas que visam
o público e que tentar melhorar, genuinamente, um pequeno subconjunto do mundo
pode levar a sucessos totalmente inesperados.
Ovum: Qual tecnologia você gostaria de ver mudando a forma como fazemos
negócios no futuro?
Peter Armstrong: Eu adoraria ver o Apple Watch (relógio de
pulso da Apple) e seus inevitáveis imitadores a solucionar o desastre na
segurança e a carteira estufada, o que é de fato a realidade dos dias modernos
com os cartões de crédito. Len quer o mesmo para que se abram portas, mas, se
isso apenas consertar os pagamentos, eu ficarei feliz. Pagar por coisas é um
desastre.
Ovum: Descreva seu ambiente ideal de trabalho daqui a dez anos.
Len Epp: Em relação aos wearables (ou seja, dispositivos
que usamos ou 'vestimos' em nosso próprio corpo), eu acredito que a grande
mudança nos nossos ambientes de trabalho é que nós iremos usar relógios de
pulso inteligentes como nossas chaves, não apenas para destrancar portas,
mas também para desbloquear nossos dispositivos e até nossas apps. Isto
terá um profundo impacto no modo como cada empresa gerencia segurança, ativos
físicos, seu IP e seus dados. Há um post num
blog, escrito por mim há algumas semanas (antes do lançamento do Apple Watch),
que dá mais detalhes de como os relógios de pulso se tornarão chaves (e
carteiras).
Ovum: Em sua opinião, qual será a próxima grande mudança no modo como
trabalhamos e na maneira como as empresas se envolvem com seus funcionários - e
especificamente o modo como TI deve servir seus clientes?
Peter Armstrong: As empresas devem entender que precisam
promover seus atuais empregados muito mais que do que seus novos empregados
potenciais.
Ovum: Nós iremos nos mover para uma forma além do email como ferramenta
viável e confiável de negócios?
Len Epp: Eu acredito que a resposta é sim. Para finalidades internas vamos
avançar muito além do email. Isso não significa, porém, que o e-mail será substituído
em outras partes da nossa vida profissional.
Num futuro não muito distante, as comunicações internas entre equipes e
mesmo entre empresas serão integradas numa rede de pessoal, projetos,
documentos, ativos digitais e dados. Essencialmente, haverá uma "rede de
trabalho", através da qual as pessoas se comunicarão num contexto
inerentemente significativo.
Esta rede estabelece um ambiente muito diferente daquele do email, que,
por natureza, multiplica o contexto a cada nova interação, cobrindo nosso mundo
de trabalho com a proliferação de pedaços desconectados de mensagens, como numa
colisão de lixo espacial. É por isso que gastamos tanto tempo com email: só
tentando conectar fragmentos de trabalho isolados na configuração do email.
Agora, imagine, ao contrário, estabelecer um complexo projeto numa
robusta app de planejamento; e então ter todo o seu time a se comunicar
sobre seu trabalho na própria estrutura do projeto, ao invés de por email.
Ao invés de interromper pessoas para atualizações de status numa tarefa, você
pode apenas navegar para a tarefa e ver todas as últimas ações e
comunicações. Note bem, não se trata de atualizações de trabalho sobre
trabalho: o que você estaria vendo é comunicação real sobre o trabalho atual que
está sendo feito pela sua equipe, em tempo real.
Isto terá muitas vantagens, inclusive o estabelecimento de visualizações
em tempo real e retrospectivas da atividade da companhia.
Essencialmente, quando as pessoas estão comunicando na mesma rede as
coisas que elas estão planejando e realizando em seu trabalho, você pode ter
uma "visão do espaço" de sua empresa - e também uma memória
'pesquisável' e passível de revisão. Quando, na mesma empresa, as pessoas param
de trabalhar em silos individuais de email e começam conectando suas
comunicações para os nós na rede (ao invés de escrever nas linhas de assunto),
a informação poderosa emerge da rede, de maneira livre.
Ao mesmo tempo, o email ainda será usado nas comunicações externas, em
particular para se relacionar com novos contatos, interagir com as contrapartes
e se envolver em comunicações que tem regulamentações especiais, processuais ou
mesmo importância legal.
Mas o email ainda permanecerá importante, por causa dos silos
individuais de informação que, usados corretamente, têm extremo valor. Eu o
usei para trabalhar numa F&A para um banco global de investimento e me
recordo de quando conheci, inteiramente por acidente, um representante de
vendas do sistema de gerenciamento de documentos de toda a empresa adotado por
nós. O representante começou a se queixar comigo que as pessoas *ainda* estavam
usando email para arquivo de documento, de uma forma bastante chocada. Eu
tentei explicar a ele as razões porque todos fazemos isso.
O email permite que você arquive suas próprias cópias de documentos do
jeito que quiser, de acordo com as categorias e seus hábitos de bagunça na
mesa, que seguem suas preferências pessoais e interesses individuais.
Há um monte de informação contextual num email para ajudá-lo a se lembrar
de coisas e encontrá-las, como data de envio, remetente, destinatário, assunto,
o conteúdo do corpo da mensagem e mesmo se era um email com arquivo anexado
etc. Quanto mais contextual são as conexões, reza a teoria, melhor está o
cérebro para retomar coisas
Enviar um documento é percebido pelas pessoas como uma ação responsável,
enquanto 'subir' (upload) um documento para uma base de dados não o é. Há um
aspecto óbvio e familiar no email, uma vez que os emails acabam nas caixas de
enviados e de recebidos. Na empresa, onde há regulações, revisões de bônus e
mesmo as políticas de trabalho, esta prestação de contas é, na verdade, um dos
aspectos mais importantes do e-mail.
Para a maioria dos propósitos internos, nossas contas de email são como
cavernas para ocupação de um único indivíduo, das quais nós finalmente estamos
emergindo para construir espaços mais sofisticados. Mas, para os propósitos da
comunicação externa e organização pessoal, o email é mais como a roda: pode ser
aperfeiçoado por avanços tecnológicos, mas a ideia básica está aí para ficar.
Ovum: À medida que a colaboração é posta no topo das agendas da maioria
das organizações, qual você diria ser a falha mais comum na execução da nova
tecnologia de colaboração/ferramentas na empresa?
Len Epp: A falha mais comum é resultado direto da perpetuação da má
prática colaborativa, que envolve a separação do planejamento ou organização do
nosso trabalho das nossas comunicações sobre o mesmo trabalho.
Esta má prática significa que nossas ferramentas de comunicação estão
sempre fora de sintonia com nossas ferramentas de planejamento. A consequência
disso é que ninguém realmente confia na ferramenta de planejamento, não importa
o quão nova ela seja, pois é nossa comunicação, realmente, que representa os
mais recentes conhecimento, decisões e atos. É difícil colaborar efetivamente
quando nossas ferramentas de planejamento não refletem a realidade e, então,
nós acabamos por interromper um ao outro o tempo todo, em fragmentados tópicos
de email e, ainda, nos ressentindo do tempo perdido na atualização de nosso
super fenomenal software de colaboração.
Ou seja, executar novas tecnologias baseadas nas mesmas velhas práticas
está fadado ao fracasso, pois se não entrega uma prática fundamentalmente
melhor, algo novo se transforma numa distração que não entrega benefício real.
***
Peter Armstrong é cofundador da Dashcube. Ele é autor de quatro livros,
três sobre programação de computador e um sobre publicação. Seus livros foram
traduzidos em vários idiomas. Antes da Dashcube, Peter foi desenvolvedor de
software em startups do Vale do Silício por oito anos, antes de fundar a
butique de consultoria em 2007 e ser cofundador da Leanpub em 2009. Peter é um
frequente, apaixonado palestrante em conferências, não importando se tratam-se
de palestras em conferências sobre o futuro do trabalho, publicação ou
programação.
Len Epp, Cofundador da Dashcube. Depois de escrever um DPhil em inglês,
Len trabalhou como banqueiro de investimentos em Londres, especialmente junto a
utilities europeias e M&A. Em seguida, fundou uma empresa sem fins lucrativos
no setor de artes, depois retornando ao seu país natal, o Canadá, em 2008.
Liderou o desenvolvimento de atendimento ao usuário numa startup de publicação,
Leanpub, por dois anos.
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