quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Será o cartão de emulação anfitrião (HCE) o facilitador para pagamentos móveis sem contato?

Host Card Emulation, ou cartão anfitrião de emulação (HCE) simplifica a implementação através de comunicação do tipo Near Field Communication (NFC), ao eliminar o requerimento de segurança Secure Element (SE) para arquivar aplicações de pagamento móvel. Mas, o HCE também aperfeiçoa o tratamento das credenciais de pagamento a serem capturadas pelo dispositivo móvel e os possíveis riscos subsequentes de fraudes.

No recém-lançado documento “Is Host Card Emulation (HCE) the big enabler for Mobile Contactless Payments?” elaborado pela Smart Payment Association (SPA), são discutidas algumas das questões mais significativas relacionadas à segurança, roll-out e gerenciamento do uso das aplicações de pagamento via HCE. O ‘paper’ também oferece algumas recomendações de como seguir adiante num mercado competitivo que usa tanto SE quanto HCE para pagamentos móveis sem contato.

Embora não seja seu objetivo fornecer análise técnica detalhada de segurança em HSE, o documento focado fornece exemplos do desafio de acomodar requerimentos inerentes a negócio, funcionalidade e segurança num único produto de pagamento móvel.

Nota: Informações fornecidas pela Smart Payment Association (SPA)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Proatividade ou tecnologia de ruptura quântica

Por Jana de Paula



A dita proatividade está em tudo. Em gestão de pessoas, modelos de arquitetura, gerenciamento de redes.... Há software e hardware proativos e suporte de tecnologia de informação. O conceito está na computação ubíqua, na gestão das relações com clientes e é adotada como terapêutica ocupacional. Existe, até mesmo, a chamada reprodução proativa em vacas. Desde quando, nos anos 90, o termo aterrissou nas mais diversas áreas do conhecimento, recebe um sem número de definições e de maneiras de ser aplicado.
Ficamos com a aplicação do conceito no ambiente corporativo. A primeira ideia que nos vêm à cabeça é a de que ser proativo implica agir sobre determinada questão antes de ser solicitado e, principalmente, assumindo os riscos inerentes à ação. Talvez seja sobre este princípio que muitos escândalos contábeis se proliferaram no final dos anos 90 e início dos 2000.
Na verdade, hoje já se fala na proatividade de ruptura (disruptive proactivity) que é, justamente, a capacidade do indivíduo de se defender contra falsos conceitos sociais, políticos e econômicos, sejam estes aplicados por governos, lideranças empresariais ou financeiras. Este novo tipo de proatividade é inerente a todo e qualquer modelo de inovação eficaz e tem sido muito recomendado pelos analistas que sugerem linhas de ação para os modelos de negócio da Índia, um dos países onde a inovação mais tem apresentado resultados. É claro que está em posição diametralmente oposta à espécie de proatividade autoindulgente descrita no parágrafo anterior.
Stephen Covey, um dos primeiros a 'ser proativo' e que compilou as atitudes de pessoas fortemente eficazes ("7 Habits of Highly Effective People"), definiu o conceito, mais do que uma iniciativa, como concentrado na "capacidade de resposta", ou seja, na liberdade de escolha. Veja, abaixo, o modelo que ele criou, onde entre o simples estímulo e a esperada resposta há o processo de escolha.

Parece a inserção de mera palavrinha no gráfico entre estímulo e resposta. Mas, é uma palavra mágica: escolha. Nestes tempos de crescimento vertiginoso da consciência individual e planetária, o tipo de resposta que o indivíduo escolhe dar ao estímulo que recebe é o que faz toda a diferença. É a atitude que permitirá à sociedade como um todo e a cada um de seus membros se livrar do processo hipnótico que se instaurou na estrutura institucional do planeta. É o que transforma o indivíduo de sujeito (a algum conceito) a protagonista de suas escolhas.
Assim, a ideia evolui para a proatividade de ruptura, resultado do esforço próprio, pessoal. "Muda-se o status quo, partindo-se da intermediação (inserção, intervenção) da inovação ou de outras atividades positivas e produtivas. Quando o esforço é bem-sucedido, isto nos traz a realidade de mudar o jogo", define Sam Smith, autor de vários projetos inovadores para o governo do Reino Unido e um dos 'seguidores de primeira hora' da disruptive proactivity.

Tecnologia de ruptura quântica

Hoje, não basta reconhecer o óbvio - que a concorrência está mais dura do que nunca. É preciso olhar em volta, testar as soluções dos concorrentes ou interpretá-las em outros segmentos de negócios. E mais. É preciso estar consciente que, além da fronteira tradicional da organização, além da própria política de governança das empresas, há grupos independentes a questionar a eficácia e a ética do que é adotado, como meio de proteger a sociedade de decisões unilaterais.
Este é o estágio onde algumas companhias começam a buscar uma grande ideia quântica que possa lhe trazer as desejadas vantagens de mercado e financeiras. É quando se testa uma maneira radical de fazer as coisas, o que Clayton Christensen chama de "tecnologia de ruptura quântica", ou a mudança que força o realinhamento de prioridades e hierarquias.
O consultor indiano Porus P. Munshi, entre outras ideias, sugere que não se pode 'costurar' uma nova ideia sobre a situação atual, sobretudo quanto esta vem acompanhada de suposições como "isto não pode ser feito", "isto é loucura, vão dizer que não compreendo a situação de mercado". É somente quando a inovação radical supera este estágio que as coisas começam a acontecer.
Francis Bacon, o filósofo que adotava a proatividade de ruptura já no século XVII, considerava um alívio descobrir que a busca para obtenção de determinado sucesso estava sendo feita a partir de princípios falsos, pois isso significava que o sucesso em si poderia ser obtido, se buscado com os meios corretos.
Mais do que ocultar-se em termos ou definições, a proatividade parece se apresentar como a capacidade de realizar sucessos que beneficiem a todo um grupo, mesmo que este grupo ainda não reconheça esta necessidade. O que distancia a palavra de uma simples característica pessoal e tão repetida e subutilizada em currículos.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Jovens promovem cobertura colaborativa da COP21, em Paris

Em Paris, de 26 de novembro a 14 de dezembro, cerca de 30 adolescentes e jovens representantes de 12 Países (Brasil, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Itália, França, Espanha, Portugal, Dinamarca, Lituânia, Grécia e Turquia) vão colaborar com a Agência Jovem de Notícias Internacional durante a Conferência ONU sobre o Clima (COP21) e eventos promovidos pela sociedade civil organizada. 

Trata-se de um projeto de Educomunicação que tem como objetivo contar de forma colaborativa, a partir da perspectiva da juventude e por meio da produção de artigos, fotos e vídeos, o que estará rolando na cidade de Paris. 

Esta é a quarta vez que os jovens da Agência vão acompanhar de perto as negociações climáticas para informar e também  promover atividades de advocacy e sensibilização.

A COP21 é vista como a COP das COPs porque Paris deverá adotar um novo acordo vinculativo global que inclua todos os países da comunidade internacional, desde os mais industrializados (como os Estados Unidos e União Europeia) até os emergentes ou em desenvolvimento (como Brasil, China e Índia), que aumentaram consideravelmente as suas emissões nos últimos anos. O objetivo é manter abaixo de 2 ° C o aquecimento global, como recomendado pela comunidade científica internacional.

O projeto é encabeçado pela ONG Viração Educomunicação e vai contar com a colaboração pelo terceiro ano consecutivo da Associação Engajamundo (www.engajamundo.org), que foca sua participação no trabalho de incidência política e advocacy, com o objetivo de influenciar o posicionamento do Brasil e resultados mais ambiciosos para a conferência. “A participação da juventude brasileira torna-se ainda mais relevante diante do cenário em Paris! 

Precisamos mostrar ao mundo que estamos unidos por um bem comum, que é o nosso planeta. O Engajamundo e a Agência Jovem de Noticias vão garantir que as vozes dos jovens brasileiros sejam escutadas num momento de decisão tão importante", diz Raquel Rosenberg, fundadora do Engaja.

De carácter internacional, o projeto conta com a parceria da Fundación Tierravida, Fundação Friedrich Ebert, Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadoras e Comunicadores, Rede MasVos, Coletivo Clímax Brasil, Monde Pluriel, Província Autônoma de Trento, Associazione In Medias Res e Osservatorio Trentino sul Clima.

“Apesar do clima de ameaça de novos ataques na Europa, defendemos que a COP21 não pode ser feita a portas fechadas, blindada e sem a participação direta da sociedade civil. É por isso que nos organizamos para testemunhar este importante acontecimento pro presente e futuro do Planeta”, completa Paulo Lima, diretor executivo da Viração e coordenador geral do projeto. 

Por toda a conjuntura de 2015, com o estabelecimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), os desastres ambientais, crises políticas e econômicas e, recentemente, os ataques terroristas, a COP21 se apresenta como grande oportunidade para sensibilizar as pessoas em torno da Justiça Climática. 

Fonte: agenciajovem.org

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Arte, Ciência e Tecnologia no Instituto de Artes da Unesp


Dedicado ao desenvolvimento de tecnologias assistivas dirigidas à arte, o projeto ‘Interfaces físicas e digitais para as artes: da difusão à inclusão’, coordenado pela Dra. Rosangella Leote, professora do Instituto de Artes (IA) da Unesp em São Paulo, proporciona a pessoas com diversas deficiências de movimento e incapacidade de fala, a possibilidade de produção de atividades artísticas, seja nas artes plásticas, cênicas, sonoras ou outras manifestações, por interfaces, como o Kit Facilita, desenvolvido em projeto colaborativo, por Acordo de Intercâmbio Internacional entre Brasil (Unesp) e Espanha (UB) e o outro projeto “ARTIA”, que está sendo desenvolvido no Brasil, em parceria entre a Unesp e a Unicamp, por meio de seus Institutos de Artes, cujas finalidades  são similares.

Entre os objetivos está, com base na Neurociência, entender e ampliar o espaço perceptivo para o desenvolvimento e para a fruição da arte (analógicas e/ou digitais em modalidades diversas, conforme o interesse dos artistas com ou sem necessidades especiais.

Este trabalho acontece no GIIP – “Grupo Internacional e Interinstitucional de Pesquisa em Convergências entre Arte, Ciência e Tecnologia”, certificado pela Unesp junto ao CNPq.

Propósito e desafio. O projeto se destina a fornecer tecnologia assistiva, de código aberto, com possibilidades escalonáveis de funcionalidades. O usuário, ou seus familiares e cuidadores, terá acesso aos manuais e rotinas para montagem de seus dispositivos, sem nenhum custo destinado ao projeto, operando ao modelo “do it yourself”.

Um dos desafios no processo é conciliar a tecnologia aberta com recentes aplicações de biosensores, especialmente os neurosensores, visando a utilização do cérebro para ações sem realização de movimentos por parte do usuário. O projeto nesse sentido, proporciona o diálogo entre multisensorialidade e a multimodalidade para, por meio de ferramentas como o Kit Facilita e o ARTIA, proporcionar criação. “Gera assim interação de sujeitos vinculando arte, ciência e tecnologia num contexto inclusivo”, diz a professora Rosangella.

O projeto engloba cinco subprojetos, como o “Criar sem limitações: Arte e tecnologia”, da Dra. Ana Amália Tavares Bastos Barbosa, brasileira, que realiza pós-doutoramento no IA (Bolsa CAPES PNPD), e “Kit Facilita - Projeto de Pesquisa e Inovação em Interfaces Assistivas de Baixo custo” (http://www.mobilitylab.net/facilita/), desenvolvido pelo Dr. Efraín Foglia, espanhol da Universidade de Barcelona, com colaboração do Dr. Josep Cerdá i Ferré (UB). Este subprojeto também é de pós-doutoramento. Ambos estão sob a supervisão profa. Leote.

O maior desafio, entretanto, foi desenvolver um projeto de tal natureza dirigido e originado na área de artes. Não há nenhum outro projeto desta natureza no Brasil e talvez até no Exterior.
Sem verba, foi necessário a montagem de uma equipe interdisciplinar por engajamento político-social além do artístico. Alguns dos participantes do projeto, que não são da Unesp, não têm salários nem há patrocínio ou custeio de agências de fomento. A Unesp, através da Pró-reitoria de Pesquisa (Prope - edital 16/2013) custeou a compra de uma parte dos componentes. O restante foi obtido com aquisições feitas pelos membros da equipe.

Testes. Os pesquisadores já realizaram vários testes com sucesso: em 9 de julho de 2015, em Lisboa, com Pedro Almeida, artista português que sofre de degeneração precoce; em 16 de julho de 2015, e São Paulo, com a artista e arte educadora Dra. Ana Amália Tavares Bastos Barbosa, que sofre de Síndrome de Locked-in (doença neurológica rara, em que ocorre paralisia de todos os músculos do corpo, com exceção dos músculos que controlam o movimento dos olhos ou das pálpebras e, na maioria dos casos, impede a fala) ela vem aplicando as interfaces na arte-educação e na própria produção artística; em 15 agosto de 2015, com a Samara Andressa, jornalista paulistana, com paralisia cerebral.

Após esta sequência de testes, iniciou-se, em 29 de outubro de 2015, testes/treino com as crianças e adolescentes da Fundação Nosso Sonho, em SP, entidade filantrópica que promove a inclusão social de crianças e jovens com paralisia cerebral, onde Ana Amália desenvolve sua prática didática de arte. Os resultados com os adolescentes vêm criando altas expectativas quanto ao sucesso do trabalho.

Os testes na Espanha, realizados com pessoas sem necessidades especiais, apenas para a aferição dos modelos de calibragem e respostas do protótipo ao movimento ocular, também resultaram positivos.

Tecnologia. O desenvolvimento do protótipo “Kit Facilita” (www.mobilitylab.net/facilita/) que opera com o rastreamento de movimentos dos olhos foi desenvolvido com tecnologia reversa e customização de interfaces já disponíveis no mercado e com código aberto. Isto permitiu realizar mais rapidamente o trabalho. Para os realizadores do projeto, não fazia sentido desenvolver “do zero” um similar a uma solução já existente.

Foi, então, adquirido o dispositivo Pupil Dv (www.pupil-labs.com), que tem tecnologia aberta, para fazer a customização pretendida, usando a programação Pure-data. A partir daí a primeira etapa do Kit facilita se concretizou. O dispositivo se mostrou muito eficiente na operação com projeção sonora. Isso permite ao usuário combinar sons, e até produzir música a partir de células gravadas de sequências musicais, ou comunicar-se com frases simples, como: “estou com fome”, “sim”, “não’ e outras.

Sua principal qualidade hoje é a de fazer soar arquivos, que estão no computador, dispararem a partir de inputs de marcadores que podem estar distribuídos pelo ambiente do usuário. O usuário pode, da mesma maneira, fazer reproduzir trechos de música, falas teatrais, vídeos e outros outputs com base em arquivos.

Um objetivo é prosseguir na evolução do kit para um protótipo de comunicação, falada e/ou digitada, através de até 64 marcadores de tamanhos diversos, quantidade que o dispositivo hoje pode ler. É possível criar, por exemplo, um teclado físico ou projetado, o que facilitaria a ação de pessoas que têm muita dificuldade de controle dos movimentos da cabeça como uma grande parte dos paralíticos cerebrais.  Como é um kit com propósito expansível modularmente, ele poderá servir para inúmeras outras aplicações.

Para resolver as dificuldades encontradas por Ana Amália, para a aplicação de seus workshops de arte, com o uso do dispositivo (conforme o plano de trabalho do seu PD), foi utilizado, além do kit, o dispositivo Eyewriter (www.eyewriter.org), que também é tecnologia aberta, para testar suas vantagens para esta finalidade específica.

O projeto prevê a utilização de ondas cerebrais para a comunicação com o computador, especialmente para os casos mais críticos. Em relação à tecnologia utilizada, foi utilizado, inicialmente, o Epoc/ Emotiv, dispositivo leitor (neurosensor) e conversor de ondas cerebrais em informação digital, para criar condições para o desenvolvimento de obras de arte pelos artistas escolhidos.

Após os primeiros testes feitos, com o software Pure Data controlando o dispositivo, foi possível criar comandos sonoros com a ativação das ondas cerebrais. Mas observamos que as operações com o dispositivo eram muito limitadas para as nossas intenções “É uma ótima interface para games e outras situações de interação onde o detalhamento e a ordenação de sinais muito rápidos e quase simultâneos não são necessários. Ocorre que é a precisão que necessitamos para o público que enfocamos”, conclui a docente.

O Epoc/Emotiv (https://emotiv.com/) tem a tecnologia parcialmente aberta. Assim, não se tinha acesso a modificações mais incisivas, para que se pudesse customizá-lo de acordo com as especificidades do nosso trabalho”, conta. “A versão que utilizamos foi a educacional, que tem mais possibilidades de modificação do que a versão completa.”

Por essa razão, foi elegido outro equipamento, o OpenBCI (http://www.openbci.com) para a próxima etapa do trabalho, pois ele tem a tecnologia de hardware e software abertas, tanto quanto compatibilidade com o Pure-Data. Sua função é, basicamente, a mesma do Epoc/Emotiv, mas aberta é customizável, fornece maior liberdade para as aplicações. “Isto percebido, a interface pode ser usada em espetáculos de dança, teatro ou música. Os dados sonoros podem ser substituídos por visuais, então o processo pode ocorrer misturando diferentes outputs além das ações na tela do computador, explica a docente do IA.

Embora haja disponíveis EEGs mais poderosos e de alta resolução e acuidade de leituras, estes não são acessíveis para a customização, ou para o acesso em amplitude social, tanto quanto não podem ser adquiridos dada a falta de financiamento que hoje o projeto tem.

Ações. O projeto, até o presente momento, utilizou o laboratórios laboratório de Arte e Tecnologia do IA, para identificação das práticas e tecnologias utilizadas no desenvolvimento de seus produtos,  bem como para desenvolvimento de nossos projetos e aplicações das oficinas. A professora Rosangella também realizou visitas de estudo, aferição e desenvolvimento de obras colaborativas na Universidade de Barcelona, no grupo de pesquisa que ela integra (Barcelona Recerca, Art y Creació - BR:AC (UB) e no Mobilitylab (mobilitylab.net), do qual fazem parte Efraín Foglia, designer do Kit Facilita e o engenheiro de computação, Jordi Sala, responsável pela programação do protótipo.

Durante o processo houve, no Brasil, a produção de uma análise comparativa quanto à eficiência dos recursos tecnológicos digitais assistivos que vem sendo produzidos ou pesquisados e que estão voltados às necessidades do público alvo deste projeto; assim como a produção de obras plásticas, em oficinas, utilizando interfaces assistivas, envolvendo, também, a participação de pessoas que não tem limitações de movimento, como estratégia de facilitar o reconhecimento da problemática que o projeto envolve.

Dificuldades. Uma dificuldade a ser resolvida nas próximas etapas do projeto é a necessidade de afinação do dispositivo para cada usuário. O ideal seria que cada participante do projeto tivesse um dispositivo destinado à si. Numa situação controlada, como o laboratório ou uma sala de aula, isto é possível fazer sem maiores problemas, as respostas são mais garantidas. Entretanto, de um espaço do espetáculo, por exemplo, com toda a pressão psicológica que costuma haver, para qualquer artista mesmo sem deficiências, não é possível garantir que os estímulos exteriores não comprometam ação do usuário caso haja um roteiro rígido pré-fixado. “Assim, qualquer trabalho neste campo deve ser experimental e permitir a incorporação do aleatório”, aponta a pesquisadora.

No caso de Ana Amália, o principal problema é que ela não teve a destreza necessária para a utilização do Kit com o olho direito Embora ela tenha conseguido operar o equipamento, sua instabilidade motora do olho faz com que o ajuste se perca. Assim, foi iniciada uma alteração de programa e do design, para seu uso mais confortável, inclusive alterando a câmera para que possa fazer a leitura do olho esquerdo.

Os testes mostraram plausibilidade de sucesso do novo protótipo. “As pessoas que não possuem problemas de comunicação, e que usaram o Kit Facilita, relatam simplicidade na utilização do mesmo, mas incômodo com a existência dos óculos. O mesmo se dá com as deficientes. Isto é uma questão a ser levada para a continuação desta pesquisa”, aponta Rosangella.

Resultados.Todos os testes a aplicações da interface Kit Facilita apresentaram funcionamento. O teste aplicado em Portugal, na Fundação Liga Liga (www.fundacaoliga.pt), com Pedro Almeida, que +e portador de degeneração precoce, deu ótimo resultado, levando à elaboração de processo criativo para artes cênicas (dança) e artes sonoras, naquela fundação.

Na Casa das Artes dessa Fundação, além do teste com o Kit Facilita, foi possível conhecer um espaço para atividades colaborativas de produção e realização artística a distância, inclusive em tempo real. “Neste caso, nossa parceria prevê desenvolvimento de obras cênicas, junto ao grupo de dança Plural, que tem bailarinos com e sem necessidades especiais, ao modo de valorização das atividades artísticas de todos”, manifesta a pesquisadora brasileira.

Dos testes realizados no Brasil, com Ana Amália Barbosa e Samara Andresa Del Monte, o da jornalista Samara (paralisia cerebral) foi o mais bem-sucedido. “A aplicação do Workshop para crianças com paralisia cerebral, na Fundação Nosso Sonho (SP), por Ana Amália, em 28 de outubro de 2015, mostrou que se está no caminho certo”, avalia Rosangella.

Artia vem aí. “Diante das dificuldades encontradas com a interface Kit Facilita, até o momento, para as funções gráficas, será necessário desenvolver outra solução, para outros casos, desta vez com o design realizados pelos brasileiros. Isto não modifica, porém, nosso empenho para continuar nosso trabalho, tanto com o Kit, como com o BCI (leitor de ondas cerebrais)”,  conclui a pesquisadora do IA.

Para as próximas etapas, a curto prazo, o engenheiro de sistemas Dr. Daniel Paz está utilizando o Pupil Dv, com programação Processing. Alguns testes, nesse sentido, mas usando componentes avulsos, foram feitos pelo Dr. Renato Hildebrand, ambos são da Unicamp e membros do GIIP. 
O Grupo vem, por vários processos, produzindo obras com o intuito de encontrar poéticas, compartilháveis e fruíveis, apoiadas menos no espaço subjetivo das experiências do artista e muito mais em conhecimentos científicos, com grande ênfase na Neurociência.

Assim, é imperativo o uso de biosensores, especialmente os de ondas cerebrais, para a continuidade do projeto.

Por isso, a etapa à médio prazo, estudam a aplicação do enfoque no uso do OpenBCI, visando o desenvolvimento do projeto agora nomeado ARTIA. Este não é uma substituição ou continuação do Kit Facilita, mas uma proposta paralela, cuja missão é trabalhar de duas maneiras desenvolvendo dois protótipos: o “ARTIA-V” e o ARTIA-C”.

O primeiro para ações com rastreamento ocular, visando escrever, desenhar, pintar e projetar esculturas para serem impressas em 3D, gerando protótipos para as obras que seriam construídas por pessoas contratadas ou parceiros de criação. O segundo, para a utilização de ondas cerebrais com finalidades similares e também aplicações com sons e imagens fora do computador, visando obras artísticas experimentais e processuais.

Crowdfounding. Enquanto a investigação não é suficientemente reconhecida e patrocinada pelas agências de fomento, uma das próximas ações será criar um projeto de crowdfunding a fim de buscar a colaboração financeira necessária para desenvolver e amplificar o projeto como um todo, disponibilizando para a sociedade a possibilidade da inclusão, pela arte, a todos aqueles sem movimentos físicos e de fala, bem como quem não tem estas dificuldades e queiram usar tais dispositivos em parceria os que têm ou individualmente. A Arte é livre e, mesmo sem os recursos adequados, se produz”, provoca Rosangella.



Fonte: UnAN - Unesp Agência de Notícias

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Apple: o melhor ano fiscal de sua história

Apple anunciou hoje seus resultados financeiros para o quarto trimestre do ano fiscal de 2015, concluído a 26 de setembro passado. A companhia apresentou receita de US$51.5 bilhões e lucro líquido de US$11.1 bilhões. O resultado se baseia na venda recorde do iPhone no período, na expansão da disponibilidade do Apple Watch no mercado mundial e na venda recorde absoluta do Mac, bem como na receita com serviços

“O ano fiscal de 2015 foi o mais bem-sucedido da história da empresa, com crescimento das receitas de 28%, ou cerca de US$ 234 bilhões”, comemorou Tim Cook, CEO da Apple.

Aleksi Aaltonen, da Warwick Business School, é Professor Assistente de Sistemas de Informação, ex-designer na Nokia e é estudioso da Apple. Para ele, a Apple ter apresentado crescimento de receita ao longo dos últimos quatro anos, num ambiente de negócios extremamente volátil, “é impressionante”. Segundo o analista, a companhia conhece seu negócio “extremamente bem e está alavancando com sucesso seu atual portfólio de produtos com vistas a expansão em novos mercados, tais como pagamentos móveis”. 

Mas, existe um ‘mas’… Investidores querem sempre mais crescimento. E, de fato, a Apple poderia facilmente manter e/ou ganhar quotas de mercado através da oferta de produtos mais baratos, mas isso iria destruir suas margens de lucro e a força da marca.

"A Apple sempre foi uma empresa muito centrada no produto e, a fim de continuar a atuar no longo prazo, precisa oferecer sempre uma grande inovação para o mercado. O carro da Apple ainda está na fase dos rumores; eu também não estou bem certo se o Apple Watch sobrevive à maciça campanha publicitária. Quanto mais o atual portfólio de produtos carregar o sucesso das vendas da companhia, sem novas grandes inovações, maior o risco de que a empresa entre em fase de estagnação, como ocorreu com a ex-líder do mercado móvel Nokia e, em alguns aspectos, a Microsoft”, disse Aaltonen”. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Cybercrimes e reputação preocupam os CEOs

A violação de informações estratégicas e os danos à reputação estão entre os riscos mais prováveis de acontecer e que tendem trazer maior impacto às empresas. É o que mostra a pesquisa International Business Resilience Survey 2015. De acordo com o estudo, 79% dos executivos entrevistados consideram a violação de dados estratégicas e os danos à reputação os riscos de maior probabilidade de acontecer e que podem trazer maior impacto para as suas organizações. Outros 59% consideram que falha no banco de dados é outro risco que podem trazer grandes impactos para as empresas. E 58% temem falhas nos serviços online decorrentes de ataque cibernético.

O estudo foi realizado pela consultoria de risco e corretora de seguros Marsh, em parceria com Instituto Internacional de Recuperação de Desastres – DRII e entrevistou 200 CEOS e executivos das áreas de gestão de risco e continuidade de negócios de empresas multinacionais no mundo todo. A pesquisa mostra também que embora risco cibernético e danos à reputação estejam no centro das preocupações dos executivos, 73% deles relevam haver uma falta de planejamento de gestão de crise nas empresas. Por outro lado, para se proteger dos ataques cibernéticos 28% afirmam ter apólices de seguros especiais para coberturas ataques cibernéticos. Outros 21% contratam seguros também para se proteger de possíveis danos à reputação das empresas após uma violação de dados.

Outro dado preocupante da pesquisa é que 60% dos CEOS e gestores de riscos entrevistados têm dado pouca importância na resiliência dos sistemas de TI em relação à gestão de reputação de suas empresas. E, ainda, 29% destes executivos já identificaram prevenção de falhas no sistema de TI de suas empresas. Os resultados da pesquisa indicam que as organizações estão mais bem preparadas para enfrentar os riscos tradicionais, mas não estão preparadas para fazer frente aos riscos não tradicionais – riscos de ataques cibernéticos, por exemplo.

Dados da pesquisa revelam também que os CEOS e gestores de risco das empresas têm diferentes percepções sobre as medidas e controle das exposições de riscos de suas respectivas empresas que possam resultar em acidentes, perdas e prejuízos. Três em cada quatro entrevistados consideraram que o fracasso do sistema de TI é uma das duas áreas que podem ter o maior impacto sobre a reputação de sua organização, juntamente com a falta de planejamento de gestão de crises.

Leia a pesquisa completa aqui


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A Era da Disrupção Constante

Por Edmardo Galli*

Disrupção significa rompimento. No caso da disrupção tecnológica, trata-se de um rompimento de paradigmas, graças a novas tecnologias que tomam conta da vida das pessoas, proporcionando mudanças profundas em nossa sociedade, para sempre.

A era atual é um momento em que as novidades surgem rápido, ganham escala rápido, barateiam rápido e dominam o mundo em um piscar de olhos. “Hoje, vivemos em constante disrupção. Imaginamos uma ideia ‘impossível’, e quando vemos, estamos usando em nosso dia-a-dia aquela ‘ideia impossível’.

A disrupção tecnológica segue esses passos mencionados acima. Primeiro, a criação vive no campo das remotas possibilidades. Ao ganhar escala e se tornar acessível financeiramente, ela toma conta em pouco tempo. E não estamos falando em ficção científica, estamos falando de disrupções reais que já vivemos em nosso dia a dia.

Este processo pode ser dividido em 6 partes, de acordo com Peter Diamandis, fundador da Singularity University, universidade no Vale do Silício, financiada por Google, Cisco, 3D Systems e diversas outras gigantes do ramo. Diamandis nos explica que a disrupção é parte de uma cadeia de eventos ainda maior, que ele chama de “pensamento exponencial”. Esse tipo de pensamento segue, ao invés de uma evolução linear de 1, 2, 3, 4, 5, 6; uma escala exponencial: 1, 2, 4, 8, 16, 32. Dessa maneira, o crescimento é infinitamente maior e mais expansivo

Para isso acontecer, os 6 passos são:

1) Digitalização
Tudo o que é digitalizado, entra automaticamente no processo de crescimento exponencial, pois assim a informação pode ser replicada automaticamente, sem custo algum, quase infinitamente.

2) Decepção
No início do seu crescimento exponencial, a evolução é quase imperceptível, podendo enganar facilmente quem olha de fora. Numericamente, essa evolução seria de 0,01%, 0,02%, 0,04%, 0,08%, 0,16%. Mas quando essa fase acaba, entramos no período da:

3) Disrupção
É nesse momento em que o mundo muda e se torna excitante! É numa rápida virada de jogo em que tudo o que era deceptivo tem uma explosão de crescimento.

4) Desmaterialização
O próximo passo é diminuir espaço, literalmente. Há alguns anos atrás, por exemplo, nós precisaríamos de uma sala cheia de aparelhos diferentes para termos o que hoje existedentro de um smartphone – telefone, GPS, rádio, câmera de vídeo, câmera fotográfica, gravador, mp3 player, VHS player etc.

5) Desmonetização
Serviços, produtos e até intangíveis se tornam desmonetizados por novas tecnologias. Se a Amazon desmonetiza livrarias e aNetflix desmonetiza locadoras e até cinemas, o Skype desmonetiza não só companhias telefônicas, mas a própria distância.

6) Democratização
Com algo digitalizado, que não ocupa espaço e resolve situações e complicações que antes demandariam tempo e dinheiro, o acesso àquilo fica muito mais... democrático. Vivemos em um mundo hiper conectado, onde qualquer informação é compartilhada instantaneamente. Hoje, qualquer pessoa tem a possibilidade de ter uma ideia, desenvolver essa ideia com custo mínimo (criar um aplicativo, por exemplo), e deflagrar um movimento disruptivo no mundo em questão de meses. As possibilidades e oportunidades nunca foram tão democráticas na história da humanidade.

Para exemplificar, Edmardo listou quatro casos de disrupções tecnológicas que já foram um dia um sonho, mas que já tomaram conta da vida de todo mundo:

1) Smartphone
Quando a internet surgiu 20 anos atrás, alguns já imaginavam que um dia, ela seria super-rápida e estaria na palma de nossas mãos - ao toque de um dedo. Os disruptores nos deram o smartphone que, junto com a internet móvel, mudaram a vida de pessoas ao redor de todo o mundo. Mudou a velocidade com que problemas são solucionados no dia a dia; mudou a configuração do trabalho como um todo (não é mais necessário estar presente no escritório o tempo todo); mudou a forma como as pessoas se relacionam; mudou a velocidade do acesso à informação; mudou a forma como a imprensa informa seus leitores; mudou a propaganda; mudou as necessidades prioritárias das famílias.

2) Instagram
Enquanto a Kodak declarava falência, o (recém-criado) Instagram era vendido por bilhões de dólares. A digitalização das imagens, a possibilidade de elas estarem na palma de nossas mãos e com um clique serem compartilhadas, tornou o Instagram uma ferramenta altamente disruptiva. O Instagram transformou o comportamento dos usuários de smartphones, tornando todos fotógrafos apaixonados por registrarem cada momento de suas vidas.

3) Impressora 3D
Estilistas já fazem coleções inteiras de roupas e acessórios com a impressora 3D. Grandes soluções como a possibilidade de gestantes cegas “sentirem” seus fetos durante ultrassons também aconteceram graças a essa maravilhosa ferramenta. Em breve, ela será ainda mais acessível e responsável por substituir tudo o que pudermos imaginar.

4) Programático
A internet conhece todas as pessoas muito bem. Ela sabe do que eu gosto, do que você gosta, o que eu comprei ontem para onde fui viajar – e sabe se fui sozinho ou com a minha família. Para ela, não há segredo. E o programático surgiu como ferramenta de organização desses milhares de informações em prol de marcas e anunciantes, que querem encontrar e impactar seus clientes de forma inteligente e muito bem “pensada”. O programático é o novo estágio da propaganda, o futuro da conexão entre consumidores e marcas. Mudando a forma como se faz publicidade, mudando a forma de criar conteúdo.

*Diretor geral da IgnitionOne, empresa de tecnologia programática.