segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Arte, Ciência e Tecnologia no Instituto de Artes da Unesp


Dedicado ao desenvolvimento de tecnologias assistivas dirigidas à arte, o projeto ‘Interfaces físicas e digitais para as artes: da difusão à inclusão’, coordenado pela Dra. Rosangella Leote, professora do Instituto de Artes (IA) da Unesp em São Paulo, proporciona a pessoas com diversas deficiências de movimento e incapacidade de fala, a possibilidade de produção de atividades artísticas, seja nas artes plásticas, cênicas, sonoras ou outras manifestações, por interfaces, como o Kit Facilita, desenvolvido em projeto colaborativo, por Acordo de Intercâmbio Internacional entre Brasil (Unesp) e Espanha (UB) e o outro projeto “ARTIA”, que está sendo desenvolvido no Brasil, em parceria entre a Unesp e a Unicamp, por meio de seus Institutos de Artes, cujas finalidades  são similares.

Entre os objetivos está, com base na Neurociência, entender e ampliar o espaço perceptivo para o desenvolvimento e para a fruição da arte (analógicas e/ou digitais em modalidades diversas, conforme o interesse dos artistas com ou sem necessidades especiais.

Este trabalho acontece no GIIP – “Grupo Internacional e Interinstitucional de Pesquisa em Convergências entre Arte, Ciência e Tecnologia”, certificado pela Unesp junto ao CNPq.

Propósito e desafio. O projeto se destina a fornecer tecnologia assistiva, de código aberto, com possibilidades escalonáveis de funcionalidades. O usuário, ou seus familiares e cuidadores, terá acesso aos manuais e rotinas para montagem de seus dispositivos, sem nenhum custo destinado ao projeto, operando ao modelo “do it yourself”.

Um dos desafios no processo é conciliar a tecnologia aberta com recentes aplicações de biosensores, especialmente os neurosensores, visando a utilização do cérebro para ações sem realização de movimentos por parte do usuário. O projeto nesse sentido, proporciona o diálogo entre multisensorialidade e a multimodalidade para, por meio de ferramentas como o Kit Facilita e o ARTIA, proporcionar criação. “Gera assim interação de sujeitos vinculando arte, ciência e tecnologia num contexto inclusivo”, diz a professora Rosangella.

O projeto engloba cinco subprojetos, como o “Criar sem limitações: Arte e tecnologia”, da Dra. Ana Amália Tavares Bastos Barbosa, brasileira, que realiza pós-doutoramento no IA (Bolsa CAPES PNPD), e “Kit Facilita - Projeto de Pesquisa e Inovação em Interfaces Assistivas de Baixo custo” (http://www.mobilitylab.net/facilita/), desenvolvido pelo Dr. Efraín Foglia, espanhol da Universidade de Barcelona, com colaboração do Dr. Josep Cerdá i Ferré (UB). Este subprojeto também é de pós-doutoramento. Ambos estão sob a supervisão profa. Leote.

O maior desafio, entretanto, foi desenvolver um projeto de tal natureza dirigido e originado na área de artes. Não há nenhum outro projeto desta natureza no Brasil e talvez até no Exterior.
Sem verba, foi necessário a montagem de uma equipe interdisciplinar por engajamento político-social além do artístico. Alguns dos participantes do projeto, que não são da Unesp, não têm salários nem há patrocínio ou custeio de agências de fomento. A Unesp, através da Pró-reitoria de Pesquisa (Prope - edital 16/2013) custeou a compra de uma parte dos componentes. O restante foi obtido com aquisições feitas pelos membros da equipe.

Testes. Os pesquisadores já realizaram vários testes com sucesso: em 9 de julho de 2015, em Lisboa, com Pedro Almeida, artista português que sofre de degeneração precoce; em 16 de julho de 2015, e São Paulo, com a artista e arte educadora Dra. Ana Amália Tavares Bastos Barbosa, que sofre de Síndrome de Locked-in (doença neurológica rara, em que ocorre paralisia de todos os músculos do corpo, com exceção dos músculos que controlam o movimento dos olhos ou das pálpebras e, na maioria dos casos, impede a fala) ela vem aplicando as interfaces na arte-educação e na própria produção artística; em 15 agosto de 2015, com a Samara Andressa, jornalista paulistana, com paralisia cerebral.

Após esta sequência de testes, iniciou-se, em 29 de outubro de 2015, testes/treino com as crianças e adolescentes da Fundação Nosso Sonho, em SP, entidade filantrópica que promove a inclusão social de crianças e jovens com paralisia cerebral, onde Ana Amália desenvolve sua prática didática de arte. Os resultados com os adolescentes vêm criando altas expectativas quanto ao sucesso do trabalho.

Os testes na Espanha, realizados com pessoas sem necessidades especiais, apenas para a aferição dos modelos de calibragem e respostas do protótipo ao movimento ocular, também resultaram positivos.

Tecnologia. O desenvolvimento do protótipo “Kit Facilita” (www.mobilitylab.net/facilita/) que opera com o rastreamento de movimentos dos olhos foi desenvolvido com tecnologia reversa e customização de interfaces já disponíveis no mercado e com código aberto. Isto permitiu realizar mais rapidamente o trabalho. Para os realizadores do projeto, não fazia sentido desenvolver “do zero” um similar a uma solução já existente.

Foi, então, adquirido o dispositivo Pupil Dv (www.pupil-labs.com), que tem tecnologia aberta, para fazer a customização pretendida, usando a programação Pure-data. A partir daí a primeira etapa do Kit facilita se concretizou. O dispositivo se mostrou muito eficiente na operação com projeção sonora. Isso permite ao usuário combinar sons, e até produzir música a partir de células gravadas de sequências musicais, ou comunicar-se com frases simples, como: “estou com fome”, “sim”, “não’ e outras.

Sua principal qualidade hoje é a de fazer soar arquivos, que estão no computador, dispararem a partir de inputs de marcadores que podem estar distribuídos pelo ambiente do usuário. O usuário pode, da mesma maneira, fazer reproduzir trechos de música, falas teatrais, vídeos e outros outputs com base em arquivos.

Um objetivo é prosseguir na evolução do kit para um protótipo de comunicação, falada e/ou digitada, através de até 64 marcadores de tamanhos diversos, quantidade que o dispositivo hoje pode ler. É possível criar, por exemplo, um teclado físico ou projetado, o que facilitaria a ação de pessoas que têm muita dificuldade de controle dos movimentos da cabeça como uma grande parte dos paralíticos cerebrais.  Como é um kit com propósito expansível modularmente, ele poderá servir para inúmeras outras aplicações.

Para resolver as dificuldades encontradas por Ana Amália, para a aplicação de seus workshops de arte, com o uso do dispositivo (conforme o plano de trabalho do seu PD), foi utilizado, além do kit, o dispositivo Eyewriter (www.eyewriter.org), que também é tecnologia aberta, para testar suas vantagens para esta finalidade específica.

O projeto prevê a utilização de ondas cerebrais para a comunicação com o computador, especialmente para os casos mais críticos. Em relação à tecnologia utilizada, foi utilizado, inicialmente, o Epoc/ Emotiv, dispositivo leitor (neurosensor) e conversor de ondas cerebrais em informação digital, para criar condições para o desenvolvimento de obras de arte pelos artistas escolhidos.

Após os primeiros testes feitos, com o software Pure Data controlando o dispositivo, foi possível criar comandos sonoros com a ativação das ondas cerebrais. Mas observamos que as operações com o dispositivo eram muito limitadas para as nossas intenções “É uma ótima interface para games e outras situações de interação onde o detalhamento e a ordenação de sinais muito rápidos e quase simultâneos não são necessários. Ocorre que é a precisão que necessitamos para o público que enfocamos”, conclui a docente.

O Epoc/Emotiv (https://emotiv.com/) tem a tecnologia parcialmente aberta. Assim, não se tinha acesso a modificações mais incisivas, para que se pudesse customizá-lo de acordo com as especificidades do nosso trabalho”, conta. “A versão que utilizamos foi a educacional, que tem mais possibilidades de modificação do que a versão completa.”

Por essa razão, foi elegido outro equipamento, o OpenBCI (http://www.openbci.com) para a próxima etapa do trabalho, pois ele tem a tecnologia de hardware e software abertas, tanto quanto compatibilidade com o Pure-Data. Sua função é, basicamente, a mesma do Epoc/Emotiv, mas aberta é customizável, fornece maior liberdade para as aplicações. “Isto percebido, a interface pode ser usada em espetáculos de dança, teatro ou música. Os dados sonoros podem ser substituídos por visuais, então o processo pode ocorrer misturando diferentes outputs além das ações na tela do computador, explica a docente do IA.

Embora haja disponíveis EEGs mais poderosos e de alta resolução e acuidade de leituras, estes não são acessíveis para a customização, ou para o acesso em amplitude social, tanto quanto não podem ser adquiridos dada a falta de financiamento que hoje o projeto tem.

Ações. O projeto, até o presente momento, utilizou o laboratórios laboratório de Arte e Tecnologia do IA, para identificação das práticas e tecnologias utilizadas no desenvolvimento de seus produtos,  bem como para desenvolvimento de nossos projetos e aplicações das oficinas. A professora Rosangella também realizou visitas de estudo, aferição e desenvolvimento de obras colaborativas na Universidade de Barcelona, no grupo de pesquisa que ela integra (Barcelona Recerca, Art y Creació - BR:AC (UB) e no Mobilitylab (mobilitylab.net), do qual fazem parte Efraín Foglia, designer do Kit Facilita e o engenheiro de computação, Jordi Sala, responsável pela programação do protótipo.

Durante o processo houve, no Brasil, a produção de uma análise comparativa quanto à eficiência dos recursos tecnológicos digitais assistivos que vem sendo produzidos ou pesquisados e que estão voltados às necessidades do público alvo deste projeto; assim como a produção de obras plásticas, em oficinas, utilizando interfaces assistivas, envolvendo, também, a participação de pessoas que não tem limitações de movimento, como estratégia de facilitar o reconhecimento da problemática que o projeto envolve.

Dificuldades. Uma dificuldade a ser resolvida nas próximas etapas do projeto é a necessidade de afinação do dispositivo para cada usuário. O ideal seria que cada participante do projeto tivesse um dispositivo destinado à si. Numa situação controlada, como o laboratório ou uma sala de aula, isto é possível fazer sem maiores problemas, as respostas são mais garantidas. Entretanto, de um espaço do espetáculo, por exemplo, com toda a pressão psicológica que costuma haver, para qualquer artista mesmo sem deficiências, não é possível garantir que os estímulos exteriores não comprometam ação do usuário caso haja um roteiro rígido pré-fixado. “Assim, qualquer trabalho neste campo deve ser experimental e permitir a incorporação do aleatório”, aponta a pesquisadora.

No caso de Ana Amália, o principal problema é que ela não teve a destreza necessária para a utilização do Kit com o olho direito Embora ela tenha conseguido operar o equipamento, sua instabilidade motora do olho faz com que o ajuste se perca. Assim, foi iniciada uma alteração de programa e do design, para seu uso mais confortável, inclusive alterando a câmera para que possa fazer a leitura do olho esquerdo.

Os testes mostraram plausibilidade de sucesso do novo protótipo. “As pessoas que não possuem problemas de comunicação, e que usaram o Kit Facilita, relatam simplicidade na utilização do mesmo, mas incômodo com a existência dos óculos. O mesmo se dá com as deficientes. Isto é uma questão a ser levada para a continuação desta pesquisa”, aponta Rosangella.

Resultados.Todos os testes a aplicações da interface Kit Facilita apresentaram funcionamento. O teste aplicado em Portugal, na Fundação Liga Liga (www.fundacaoliga.pt), com Pedro Almeida, que +e portador de degeneração precoce, deu ótimo resultado, levando à elaboração de processo criativo para artes cênicas (dança) e artes sonoras, naquela fundação.

Na Casa das Artes dessa Fundação, além do teste com o Kit Facilita, foi possível conhecer um espaço para atividades colaborativas de produção e realização artística a distância, inclusive em tempo real. “Neste caso, nossa parceria prevê desenvolvimento de obras cênicas, junto ao grupo de dança Plural, que tem bailarinos com e sem necessidades especiais, ao modo de valorização das atividades artísticas de todos”, manifesta a pesquisadora brasileira.

Dos testes realizados no Brasil, com Ana Amália Barbosa e Samara Andresa Del Monte, o da jornalista Samara (paralisia cerebral) foi o mais bem-sucedido. “A aplicação do Workshop para crianças com paralisia cerebral, na Fundação Nosso Sonho (SP), por Ana Amália, em 28 de outubro de 2015, mostrou que se está no caminho certo”, avalia Rosangella.

Artia vem aí. “Diante das dificuldades encontradas com a interface Kit Facilita, até o momento, para as funções gráficas, será necessário desenvolver outra solução, para outros casos, desta vez com o design realizados pelos brasileiros. Isto não modifica, porém, nosso empenho para continuar nosso trabalho, tanto com o Kit, como com o BCI (leitor de ondas cerebrais)”,  conclui a pesquisadora do IA.

Para as próximas etapas, a curto prazo, o engenheiro de sistemas Dr. Daniel Paz está utilizando o Pupil Dv, com programação Processing. Alguns testes, nesse sentido, mas usando componentes avulsos, foram feitos pelo Dr. Renato Hildebrand, ambos são da Unicamp e membros do GIIP. 
O Grupo vem, por vários processos, produzindo obras com o intuito de encontrar poéticas, compartilháveis e fruíveis, apoiadas menos no espaço subjetivo das experiências do artista e muito mais em conhecimentos científicos, com grande ênfase na Neurociência.

Assim, é imperativo o uso de biosensores, especialmente os de ondas cerebrais, para a continuidade do projeto.

Por isso, a etapa à médio prazo, estudam a aplicação do enfoque no uso do OpenBCI, visando o desenvolvimento do projeto agora nomeado ARTIA. Este não é uma substituição ou continuação do Kit Facilita, mas uma proposta paralela, cuja missão é trabalhar de duas maneiras desenvolvendo dois protótipos: o “ARTIA-V” e o ARTIA-C”.

O primeiro para ações com rastreamento ocular, visando escrever, desenhar, pintar e projetar esculturas para serem impressas em 3D, gerando protótipos para as obras que seriam construídas por pessoas contratadas ou parceiros de criação. O segundo, para a utilização de ondas cerebrais com finalidades similares e também aplicações com sons e imagens fora do computador, visando obras artísticas experimentais e processuais.

Crowdfounding. Enquanto a investigação não é suficientemente reconhecida e patrocinada pelas agências de fomento, uma das próximas ações será criar um projeto de crowdfunding a fim de buscar a colaboração financeira necessária para desenvolver e amplificar o projeto como um todo, disponibilizando para a sociedade a possibilidade da inclusão, pela arte, a todos aqueles sem movimentos físicos e de fala, bem como quem não tem estas dificuldades e queiram usar tais dispositivos em parceria os que têm ou individualmente. A Arte é livre e, mesmo sem os recursos adequados, se produz”, provoca Rosangella.



Fonte: UnAN - Unesp Agência de Notícias

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Apple: o melhor ano fiscal de sua história

Apple anunciou hoje seus resultados financeiros para o quarto trimestre do ano fiscal de 2015, concluído a 26 de setembro passado. A companhia apresentou receita de US$51.5 bilhões e lucro líquido de US$11.1 bilhões. O resultado se baseia na venda recorde do iPhone no período, na expansão da disponibilidade do Apple Watch no mercado mundial e na venda recorde absoluta do Mac, bem como na receita com serviços

“O ano fiscal de 2015 foi o mais bem-sucedido da história da empresa, com crescimento das receitas de 28%, ou cerca de US$ 234 bilhões”, comemorou Tim Cook, CEO da Apple.

Aleksi Aaltonen, da Warwick Business School, é Professor Assistente de Sistemas de Informação, ex-designer na Nokia e é estudioso da Apple. Para ele, a Apple ter apresentado crescimento de receita ao longo dos últimos quatro anos, num ambiente de negócios extremamente volátil, “é impressionante”. Segundo o analista, a companhia conhece seu negócio “extremamente bem e está alavancando com sucesso seu atual portfólio de produtos com vistas a expansão em novos mercados, tais como pagamentos móveis”. 

Mas, existe um ‘mas’… Investidores querem sempre mais crescimento. E, de fato, a Apple poderia facilmente manter e/ou ganhar quotas de mercado através da oferta de produtos mais baratos, mas isso iria destruir suas margens de lucro e a força da marca.

"A Apple sempre foi uma empresa muito centrada no produto e, a fim de continuar a atuar no longo prazo, precisa oferecer sempre uma grande inovação para o mercado. O carro da Apple ainda está na fase dos rumores; eu também não estou bem certo se o Apple Watch sobrevive à maciça campanha publicitária. Quanto mais o atual portfólio de produtos carregar o sucesso das vendas da companhia, sem novas grandes inovações, maior o risco de que a empresa entre em fase de estagnação, como ocorreu com a ex-líder do mercado móvel Nokia e, em alguns aspectos, a Microsoft”, disse Aaltonen”. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Cybercrimes e reputação preocupam os CEOs

A violação de informações estratégicas e os danos à reputação estão entre os riscos mais prováveis de acontecer e que tendem trazer maior impacto às empresas. É o que mostra a pesquisa International Business Resilience Survey 2015. De acordo com o estudo, 79% dos executivos entrevistados consideram a violação de dados estratégicas e os danos à reputação os riscos de maior probabilidade de acontecer e que podem trazer maior impacto para as suas organizações. Outros 59% consideram que falha no banco de dados é outro risco que podem trazer grandes impactos para as empresas. E 58% temem falhas nos serviços online decorrentes de ataque cibernético.

O estudo foi realizado pela consultoria de risco e corretora de seguros Marsh, em parceria com Instituto Internacional de Recuperação de Desastres – DRII e entrevistou 200 CEOS e executivos das áreas de gestão de risco e continuidade de negócios de empresas multinacionais no mundo todo. A pesquisa mostra também que embora risco cibernético e danos à reputação estejam no centro das preocupações dos executivos, 73% deles relevam haver uma falta de planejamento de gestão de crise nas empresas. Por outro lado, para se proteger dos ataques cibernéticos 28% afirmam ter apólices de seguros especiais para coberturas ataques cibernéticos. Outros 21% contratam seguros também para se proteger de possíveis danos à reputação das empresas após uma violação de dados.

Outro dado preocupante da pesquisa é que 60% dos CEOS e gestores de riscos entrevistados têm dado pouca importância na resiliência dos sistemas de TI em relação à gestão de reputação de suas empresas. E, ainda, 29% destes executivos já identificaram prevenção de falhas no sistema de TI de suas empresas. Os resultados da pesquisa indicam que as organizações estão mais bem preparadas para enfrentar os riscos tradicionais, mas não estão preparadas para fazer frente aos riscos não tradicionais – riscos de ataques cibernéticos, por exemplo.

Dados da pesquisa revelam também que os CEOS e gestores de risco das empresas têm diferentes percepções sobre as medidas e controle das exposições de riscos de suas respectivas empresas que possam resultar em acidentes, perdas e prejuízos. Três em cada quatro entrevistados consideraram que o fracasso do sistema de TI é uma das duas áreas que podem ter o maior impacto sobre a reputação de sua organização, juntamente com a falta de planejamento de gestão de crises.

Leia a pesquisa completa aqui


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A Era da Disrupção Constante

Por Edmardo Galli*

Disrupção significa rompimento. No caso da disrupção tecnológica, trata-se de um rompimento de paradigmas, graças a novas tecnologias que tomam conta da vida das pessoas, proporcionando mudanças profundas em nossa sociedade, para sempre.

A era atual é um momento em que as novidades surgem rápido, ganham escala rápido, barateiam rápido e dominam o mundo em um piscar de olhos. “Hoje, vivemos em constante disrupção. Imaginamos uma ideia ‘impossível’, e quando vemos, estamos usando em nosso dia-a-dia aquela ‘ideia impossível’.

A disrupção tecnológica segue esses passos mencionados acima. Primeiro, a criação vive no campo das remotas possibilidades. Ao ganhar escala e se tornar acessível financeiramente, ela toma conta em pouco tempo. E não estamos falando em ficção científica, estamos falando de disrupções reais que já vivemos em nosso dia a dia.

Este processo pode ser dividido em 6 partes, de acordo com Peter Diamandis, fundador da Singularity University, universidade no Vale do Silício, financiada por Google, Cisco, 3D Systems e diversas outras gigantes do ramo. Diamandis nos explica que a disrupção é parte de uma cadeia de eventos ainda maior, que ele chama de “pensamento exponencial”. Esse tipo de pensamento segue, ao invés de uma evolução linear de 1, 2, 3, 4, 5, 6; uma escala exponencial: 1, 2, 4, 8, 16, 32. Dessa maneira, o crescimento é infinitamente maior e mais expansivo

Para isso acontecer, os 6 passos são:

1) Digitalização
Tudo o que é digitalizado, entra automaticamente no processo de crescimento exponencial, pois assim a informação pode ser replicada automaticamente, sem custo algum, quase infinitamente.

2) Decepção
No início do seu crescimento exponencial, a evolução é quase imperceptível, podendo enganar facilmente quem olha de fora. Numericamente, essa evolução seria de 0,01%, 0,02%, 0,04%, 0,08%, 0,16%. Mas quando essa fase acaba, entramos no período da:

3) Disrupção
É nesse momento em que o mundo muda e se torna excitante! É numa rápida virada de jogo em que tudo o que era deceptivo tem uma explosão de crescimento.

4) Desmaterialização
O próximo passo é diminuir espaço, literalmente. Há alguns anos atrás, por exemplo, nós precisaríamos de uma sala cheia de aparelhos diferentes para termos o que hoje existedentro de um smartphone – telefone, GPS, rádio, câmera de vídeo, câmera fotográfica, gravador, mp3 player, VHS player etc.

5) Desmonetização
Serviços, produtos e até intangíveis se tornam desmonetizados por novas tecnologias. Se a Amazon desmonetiza livrarias e aNetflix desmonetiza locadoras e até cinemas, o Skype desmonetiza não só companhias telefônicas, mas a própria distância.

6) Democratização
Com algo digitalizado, que não ocupa espaço e resolve situações e complicações que antes demandariam tempo e dinheiro, o acesso àquilo fica muito mais... democrático. Vivemos em um mundo hiper conectado, onde qualquer informação é compartilhada instantaneamente. Hoje, qualquer pessoa tem a possibilidade de ter uma ideia, desenvolver essa ideia com custo mínimo (criar um aplicativo, por exemplo), e deflagrar um movimento disruptivo no mundo em questão de meses. As possibilidades e oportunidades nunca foram tão democráticas na história da humanidade.

Para exemplificar, Edmardo listou quatro casos de disrupções tecnológicas que já foram um dia um sonho, mas que já tomaram conta da vida de todo mundo:

1) Smartphone
Quando a internet surgiu 20 anos atrás, alguns já imaginavam que um dia, ela seria super-rápida e estaria na palma de nossas mãos - ao toque de um dedo. Os disruptores nos deram o smartphone que, junto com a internet móvel, mudaram a vida de pessoas ao redor de todo o mundo. Mudou a velocidade com que problemas são solucionados no dia a dia; mudou a configuração do trabalho como um todo (não é mais necessário estar presente no escritório o tempo todo); mudou a forma como as pessoas se relacionam; mudou a velocidade do acesso à informação; mudou a forma como a imprensa informa seus leitores; mudou a propaganda; mudou as necessidades prioritárias das famílias.

2) Instagram
Enquanto a Kodak declarava falência, o (recém-criado) Instagram era vendido por bilhões de dólares. A digitalização das imagens, a possibilidade de elas estarem na palma de nossas mãos e com um clique serem compartilhadas, tornou o Instagram uma ferramenta altamente disruptiva. O Instagram transformou o comportamento dos usuários de smartphones, tornando todos fotógrafos apaixonados por registrarem cada momento de suas vidas.

3) Impressora 3D
Estilistas já fazem coleções inteiras de roupas e acessórios com a impressora 3D. Grandes soluções como a possibilidade de gestantes cegas “sentirem” seus fetos durante ultrassons também aconteceram graças a essa maravilhosa ferramenta. Em breve, ela será ainda mais acessível e responsável por substituir tudo o que pudermos imaginar.

4) Programático
A internet conhece todas as pessoas muito bem. Ela sabe do que eu gosto, do que você gosta, o que eu comprei ontem para onde fui viajar – e sabe se fui sozinho ou com a minha família. Para ela, não há segredo. E o programático surgiu como ferramenta de organização desses milhares de informações em prol de marcas e anunciantes, que querem encontrar e impactar seus clientes de forma inteligente e muito bem “pensada”. O programático é o novo estágio da propaganda, o futuro da conexão entre consumidores e marcas. Mudando a forma como se faz publicidade, mudando a forma de criar conteúdo.

*Diretor geral da IgnitionOne, empresa de tecnologia programática.



quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Wikipedia fecha 381 contas promocionais e de SPAM

A Wikimedia Foundation, que abriga a enciclopédia online Wikipédia, anunciou ontem a suspensão de 381 contas para a criação de páginas consideradas de natureza excessivamente promocional ou com links de spam. A WMF alega que as contas identificadas, conhecidas como 'sockpuppets' (ou ‘bonecos de meia’), teriam sido usadas para cobrar ou aceitar contribuição financeira “para promover os interesses externos ao Wikipedia, sem revelar sua filiação" - algo que fere a finalidade da Wikipedia, de precisão, imparcialidade e confiabilidade.

Como parte de um inquérito interno - codinome ‘Orangemoody’ (algo como ‘laranja temperamental’), o nome do primeiro sockpuppet descoberto – a WMF constatou entre os editores desonestos a “violação de seus termos de uso, criação de novas páginas, bem como alteração das já existentes, para efeitos de obter ganho financeiro”.

Além de bloquear contas,a  campanha de ‘limpeza’ do Wikipedia também visa a supressão de 210 artigos “com sinais de matéria paga de interesse de grupos de empresários, artistas etc."

O Dr. Aleksi Aaltonen, da área de pesquisas da Warwick Business School, afirmou hoje que "ficaria surpreso se o Wikepedia não fosse alvo de todos os tipos de tentativas de manipulação de seu conteúdo, pois é um produto de referência extremamente popular e seu conteúdo é altamente visível através dos motores de busca”.

Para o pesquisador, o Wikipedia tornou-se relativamente bom em se proteger de tais tentativas ao longo dos anos e, na verdade, o conteúdo tendencioso foi removido rapidamente - para a decepção da pessoa pensava estar pagando por um esforço editorial legítimo:


“Usar o Wikipedia como ferramenta de fraude contra indivíduos e pequenas empresas dessa forma é, no entanto, novo para mim. O site precisa levar a sério esta ameaça a sério e fazer o possível para impedir que isso aconteça. Mas, os casos são um exemplo das formas cada vez mais sofisticadas de fraude na internet. Isto não tem nada a ver com a Wikipedia e a única maneira de parar com estas práticas, em última análise, é ajudar as pessoas a distinguir melhor entre negócios on-line legítimos e ilegítimos", concluiu ele.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Os temas quentes e os principais desafios em Big Data

Robert Quinn (foto), Chief Privacy Officer da AT&T, concedeu uma entrevista aos organizadores do “Telco Big Data US”. O evento é parte da “CTIA Super Mobility Week”, que começa a 9 de setembro, em Las Vegas, Nevada, EUA.


Confira:  




Qual a grande inovação que Big Data proverá para as telcos nos próximos cinco anos?
À medida que a AT&T se move em direção ao futuro, vídeo e outros conteúdos multimídia serão os maiores condutores de nosso mercado. Big Data oferece grandes oportunidades para aperfeiçoar serviços com qualidade e também a entrega de serviços de qualidade ao cliente. A inovação é aprender como pegar o amontoado de dados que poderiam ter sido passivos anteriormente e transformá-los num conjunto que conduza a melhores decisões – ou seja, que desça a um nível que agrade o cliente individual.

Em sua opinião, qual a tecnologia que irá mudar a natureza do jogo neste ambiente? Há uma única tecnologia que fará isso?
De fato, são os detalhes o que mais irritam uma companhia que deseja aperfeiçoamento através de Big Data. Por exemplo, avaliamos mais de 30 companhias em busca de uma empresa de software com escalabilidade, para suporte de gerenciamento e terceirização de dados. Encontramos muito poucos produtos dignos, escaláveis. Então, construímos alguns nós mesmos.

Qual o papel dos players de OTT neste ecossistema?
Sabemos que nossos clientes querem liberdade e flexibilidade para usar todo tipo de serviços e jogos e, ainda, obter conteúdo de diversos lugares. Aplicações ajudam neste processo e Big Data auxiliará na promoção de melhor eficiência.

Você anteciparia que as normas de privacidade afetam a maneira como empresas de telecomunicações são capazes de usar dados? E, neste caso, de que maneira isso ocorreria?
Sim, definitivamente. Telcos e outros têm obrigação, em vários níveis, de respeitar a privacidade de nossos clientes. No entanto, nos preocupamos que o foco atual da FCC pareça ser a de confinar alguns provedores de telecom em regras que foram escritas para o telefone preto de seletor giratório. Regras tão arcaicas podem fazer claudicar o enorme potencial de serviços aperfeiçoados por dados (data-enhanced services) e, mesmo, o surgimento de modelos de negócios alternativos que são incrivelmente populares, hoje, entre os clientes.

Por que encontros como “Telco Big Data” são importantes para você?
Big Data anda está evoluindo e está se aproximando de alcançar seu pleno potencial. É importante criarmos oportunidades de nos reunir com organizações, para partilharmos questões e preocupações. Isso ajuda a todos sentir o pulsar do que está ocorrendo e ter uma visão do que está adiante. 

Se você resumisse a oportunidade de Big Data para as telcos numa frase, qual seria ela?

Os detalhes podem ser difíceis, mas os objetivos são simples: tomar melhores decisões, eliminar custos e atender melhor aos clientes.



terça-feira, 18 de agosto de 2015

VoLTE facilita a transferência de voz sobre IP


Kobus Smit (foto), chefe de voz e mensagens da Deutsche Telekom (DT), oferece, nesta entrevista, uma visão sobre serviços que VoLTE oferecerá mais os benefícios que trará para o cliente. Trata-se de um aquecimento para a Terceira Conferência Anual de VoLTE, que acontece de 28 a 30 de setembro próximo, em Londres, Inglaterra.

Confira:

1. Diante de seu lançamento comercial, há uma ideia clara sobre se VoLTE realmente viverá sua promessa?
VoLTE oferece alguns claros benefícios – especialmente com relação à voz em HD e tempos de chamadas mais rápidos, o que acreditamos que os usuários notarão e apreciarão. Há também vantagens adicionais, como navegação de alta velocidade durante chamadas, mas os casos de uso ainda são bastante limitados. O maior benefício da VoLTE, no entanto, se volta indiscutivelmente para a operadora mais do que para o consumidor, pois facilita a transferência necessária da voz sobre IP. Acreditamos, portanto, que, a partir de uma perspectiva do cliente VoLTE "simples", por si só, não seja necessariamente uma proposta muito convincente.

2. É possível que vejamos serviços novos e inovadores construídos sobre plataforma de áudio em VoLTE?
Sim, de fato – e isso já está sendo preparado. A DT desenvolveu uma proposta de Enriched Calling (Chamada Aperfeiçoada) em conjunto com Sony, Vodafone e outros, que será apresentada em breve ao mercado. Ela permite que os clientes tenham uma experiência de chamada muito melhor, ao adicionar contexto e conteúdo antes, durante e após a chamada. As características incluem configuração de escala importância das chamadas, acrescentando assunto, imagem ou localização, antes da chamada. Durante a chamada, os usuários podem trocar localizações, recorrer a mapas ou fotos, compartilhar vídeos, imagens e arquivos; e, após a chamada os clientes têm a possibilidade de deixar um voicemail visual, um vídeo ou uma mensagem de texto. Tudo isso é entregue com um incremento de esforço muito pequeno, utilizando-se da funcionalidade RCS, já disponível em redes e aparelhos, de modo a entregar uma experiência de uso realmente aperfeiçoada. 

3. Qual o future, o além da VoLTE? Quais os próximos passos em desenvolvimento de rede?
Estamos implementando VoLTE de início numa base local e, em seguida, a estenderemos no roaming. Planejamos ainda combinar VoLTE com outros serviços como Chamada Wi-Fi e estabelecer Video-Chamada. A VoLTE como base para voz sobre IP  abre a possibilidade ainda de reforçar e articular serviços no domínio IP.

4. A função de virtualização da rede (Network Function Virtualization) para VoLTE-, como isso funciona para você e que caminho seguir quanto a este serviço?
Para nós, não se trata da virtualização de um único serviço, mas, sobretudo sobre virtualização da infraestrutura de rede, a fim de ser mais eficiente e oferecer melhor qualidade e serviço para nossos clientes.

5. Qual será sua mensagem principal durante o LTE Voice Summit 2015?
De que forma a Enriched Call cria uma proposta atraente em torno de VoLTE.

Fonte: http://voice.lteconference.com/interview-with-kobus-smit-head-of-voice-and-messaging-deutsche-telekom/